TwitterFacebook

Chamada de Comunicações

Decorre até 30 de novembro o período de entrega de resumos de  comunicações, que deverão ser enviados para congressolmc@gmail.com

Todos os detalhes em "Comunicações Livres".

3.º Congresso Literacia, Media e Cidadania

"A «educação para os media» visa as competências, os conhecimentos e a compreensão que permitem aos consumidores utilizarem os meios de comunicação social de forma eficaz e segura."

Directiva SCSA de 10/03/2010

3.º Congresso Literacia, Media e Cidadania

"A educação para os meios de comunicação constitui um elemento crucial da política de informação dos consumidores (…) da participação democrática activa dos cidadãos e do incremento do diálogo intercultural"

Resolução do PE de 16/12/08

3.º Congresso Literacia, Media e Cidadania

“[...] a literacia mediática é uma questão de inclusão e de cidadania na sociedade da informação de hoje [...] evitando ou diminuindo os riscos de exclusão da vida comunitária”

Recomendação da CE 20/08/09

Pavilhão do Conhecimento

Parque das Nações, Lisboa

17 e 18 de Abril 2015
Comunicações Livres .::. Resumos - Comunicações livres e Posters

Resumos (PDF)

 

RESUMOS

COMUNICAÇÕES LIVRES e POSTERS

 

MESA 1 – Literacia audiovisual

Moderador: Vítor Reia-Baptista

Sala: Azul (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 11h30-13h00

Projeto Ícaro TV: uma TV escolar no 1.º ciclo do Ensino Básico

Pedro Dias

Agrupamento de Escolas de Gondifelos, Vila Nova de Famalicão

Palavras-chave: TV escolar, literacia para os media

Resumo:

A ÍcaroTV é o canal de notícias do 1.º Ciclo do Agrupamento de Escolas de Gondifelos (Vila Nova de Famalicão). Fruto da inspiração de três professores do primeiro ciclo com um profundo gosto pelas novas tecnologias e pelos media, este projeto começou como uma forma de mostrar à comunidade todo o trabalho que era desenvolvido na sala de aulas pelos alunos e pelos professores. Tal deveu-se ao facto de termos a noção que a grande maioria da comunidade educativa desconhecia o que se fazia na escola.

Apesar de já não ser a primeira experiência online, procuramos idealizar um projeto onde o trabalho de divulgação seria partilhado pelos alunos e pelos professores e onde todos se sentissem mais envolvidos no mesmo e também queríamos que este tipo de trabalho melhorasse as capacidades de comunicação dos alunos, quer escrita quer oral. Uma terceira motivação consistia na partilha de experiências entre os alunos e pais das diferentes escolas. Por fim queríamos partilhar as aprendizagens e simultaneamente produzir conteúdos educativos de qualidade que possam ser aproveitados por outros alunos.

Muitas foram as dificuldades foram surgindo. Algumas foram superadas e outras ainda espreitam e atrapalham. O tempo disponível para o projeto sempre foi a maior limitação. Um outro obstáculo, que se foi ultrapassando foi a baixa literacia para os media que tantos os professores como os pais e (um pouco menos) os alunos tinham no início do projeto. Outra dificuldade sentida é ao nível dos equipamentos.

A forma como este projeto ganha vida tem vindo a mudar desde a sua gênese. Contudo a espinha dorsal mantem-se: este é um trabalho dos alunos (em colaboração com os professores) para os alunos e para a comunidade.

As notícias e vídeos educativos surgem sempre de atividades ou acontecimentos que estejam diretamente ligados à atividade letiva. Os alunos desenvolvem os relatos dos acontecimentos; o registo visual em fotografia ou vídeo é feito, geralmente pelas crianças. Aos professores cabe a função de rever a informação que as crianças produzem e a edição dos vídeos. Há ainda um terceiro passo que passa pela visualização dos conteúdos produzidos e avaliação dos mesmos, de forma a encontrar erros e a melhorar o trabalho numa próxima oportunidade.

Sentimos que a comunidade gosta deste tipo de exposição e que conseguimos desmistificar algumas das ideias pré-concebidas que a maior parte das pessoas têm acerca do primeiro ciclo.

Para as crianças a reação é simplesmente a mesma: adoram! Mesmo sentido um pequeno desconforto inicial por ouvir a sua voz ou ver a sua imagem na televisão ou no computador, a grande maioria das crianças que participa ativamente na produção de conteúdo pede para voltar a trabalhar.

Também já temos alunos que propõem temas e preparam, individualmente, reportagens de forma a mostrar aos outros e à comunidade aquilo que são capazes de fazer.

________________________________________________________________________

É possível o letramento para a TV: uma proposta singela

Cláudio Magalhães

Instituto de Comunicação e Artes do Centro Universitário Una/Belo Horizonte – Minas Gerais

Palavras-chave: letramento para TV; comunicação; educação.

Resumo:

Não há boa – nem má – programação infantil para a grande maioria das crianças, uma vez que ela está fora da televisão aberta. As crianças estão relegadas àquelas que têm TV paga e àquelas que não têm. Como grande parte pertence ao segundo grupo, há o fortalecimento na criança de que a programação da TV como um todo – principalmente os programas para adultos – é algo para seu consumo cotidiano, para sua apropriação, para sua relação com o mundo. É igualmente incentivado a se apropriar do veículo: pelo exemplo dos pais, pela importância que ela percebe ter a TV onde quer atuar, pelo desinteresse ou simples rejeição da escola, desinteresse, aliás, que torna a TV um ótimo instrumento de transgressão. Esse trabalho procura estudar teoricamente esse fenômeno onde a criança se apropria de forma espontânea da TV, sem orientação, pela falta de alguém que lhe ensine a “ler” a televisão como se ensina a ler qualquer outro veículo de comunicação, como o livro e os sinais de trânsito. Estudando conceitos sobre letramento e tentando adaptá-los a realidade da relação da criança e sua TV, descobre-se que não existe um letramento para a apropriação deste conteúdo, onde o indivíduo não só domine a gramática da linguagem, mas faça uso social dela. Neste sentido, levantam-se questões como qual deve ser o papel do educador, que avança sobre a alfabetização tradicional, mas menos valorizada, enquanto criamos uma horda de analfabetos da imagem. O trabalho, no entanto, mostra que, embora a formação de professores não ajude, os docentes já dominam as ferramentas para essa transposição. A discriminação sobre a TV nubla a capacidade dos professores de contornarem o problema e começarem a alfabetizar seus jovens para o mundo audiovisual. Como contribuição, esse trabalho ainda oferece uma proposta de oficina a ser aplicada em sala de aula.

________________________________________________________________________

Literacia Audiovisual: políticas públicas e a sistematização de um novo/antigo campo em Portugal

Raquel Pacheco

UNL/FCSH; CICS, Universidade Nova de Lisboa; UFF; FCT

 

Palavras-chave: literacia audiovisual; cinema; educação audiovisual; crianças e jovens.

Resumo:

“As aulas de cinema são muito proveitosas, não digo excepcionalmente necessárias, mas sempre é bom saber um pouco mais sobre o mundo que vivemos para não passarmos por ignorantes.” (Bárbara, 15 anos)

Esta proposta de comunicação baseia-se em uma investigação sobre a relação entre crianças e jovens e a educação audiovisual em diferentes contextos socioculturais portugueses, o trabalho apresenta algumas reflexões sobre o nível de literacia fílmica gerada a partir de projetos de educação audiovisual desenvolvidos em territórios nacionais.

Em 2012 um consórcio liderado pela BFI (British Film Institute) fez um levantamento do nível e da oferta de literacia fílmica nos países da União Europeia, este trabalho foi financiado pela Comissão Europeia que acredita que literacia seja uma combinação entre leitura e escrita e que define: “Literacia fílmica é o nível de compreensão de um filme, é a habilidade de ser consciente e curioso na escolha dos filmes (…)”

Portugal é um dos países que participaram deste levantamento e por sua vez criou uma nova Lei para o Cinema e Audiovisual e lançou um Plano Nacional de Cinema.

Através de uma fundamentação teórica tendo como base conceitos e estudos realizados sobre a educação para os media, literacia fílmica, e, de um trabalho de campo acompanhando diferentes projetos de educação audiovisual conseguimos perceber sobre a necessidade de sistematização deste antigo/novo campo que é a educação audiovisual.

________________________________________________________________________

Leitura, análise e produção de esquete: contribuições para o letramento crítico

Ana Cristina Carmelino

Universidade Federal de São Paulo

Palavras-chave: Linguagem midiática; letramento crítico; esquete.

 

Resumo:

A leitura midiática faz parte de todos os contextos da vida cotidiana. Como um lugar de formação integral do sujeito, a escola não pode se esquivar do trabalho com as especificidades da linguagem midiática em todos os níveis de ensino, isto é, seja considerando os elementos que a constituem e seus padrões estéticos, seja discutindo temas e o universo de valores que ela mobiliza. Partindo dessas considerações, o objetivo desta comunicação é contribuir para o letramento crítico por meio da atividade de leitura, análise e produção de esquetes, especialmente com base na perspetiva do Letramento (e Multiletramento, de acordo com Rojo, 2012) e no campo dos estudos da Análise do Discurso. Inseridos em multissistemas, os esquetes – peças de curta duração, geralmente de caráter cômico, produzidas para teatro, cinema, rádio, televisão e internet – mesclam em sua constituição diferentes linguagens (a exemplo, a verbal oral ou escrita, as imagens em movimento, reais, filmadas ou digitalizadas). Tais dados não colocam desafios aos leitores / ouvintes, tendo em vista o fato de que eles têm facilidade (e se divertem) ao assistirem a tais peças (no teatro, na TV ou quando navegam), mas desafiam as práticas escolares de leitura. Desse modo, pretende-se aqui, além de propor alguns caminhos (subsídios) para o trabalho de análise dessa produção midiática em sala de aula, mostrar como esse gênero multimodal mobiliza, no processo de leitura, multiletramentos (capacidades e práticas de compreensão de várias linguagens para se fazer significar) e pode levar à reflexão crítica de temas caros à sociedade.

________________________________________________________________________

Seminários de Cinema, História e Educação: Relato de Experiência de Quinze Anos de Ação

Heliana Silva

Universidade Estadual de Maringá-UEM,Paraná

 

Palavras-chave: Educação; comunicação; cultura; cinema; cidadania.

Resumo:

A presente comunicação, é fruto do projeto de evento de extensão: Cinema, História e Educação. Surgiu da necessidade vivenciada, e compartilhada por acadêmicos da UEM e professores do ensino fundamental que vinham até o LAP na época de realização das formações ou em ações em sala de aula enquanto professores, procurar por filmes para trabalhar com as crianças, sem saber exatamente como utilizar este recurso. Diante desta demanda, compreendemos a necessidade de realização de um projeto que contribuísse para um estudo da literacia fílmica. A partir de então, cada ano foi se solidificando como imprescindível para inserir acadêmicos dos diversos cursos de licenciaturas, especialmente de Pedagogia da UEM, professores do ensino básico e comunidade externa interessada nas discussões sobre o contexto da literacia fílmica. Os objetivos que impulsionam o referido evento são: a) Contribuir para a formação continuada dos professores da rede pública no reconhecimento da utilização do recurso audiovisual em sala de aula, como fonte de informação, pesquisa e construção de conhecimento; b) Enriquecer a formação pedagógica de acadêmicos dos cursos de licenciaturas, de alunos da Pós-Graduação em Educação e de profissionais da educação, por meio da literacia do cinema e da análise teórico-metodológica de filmes; c) Superar a perspectiva de senso comum ou de mero entretenimento no ato de “assistir ao filme”, ou seja, desenvolver uma atitude de “pensamento contextualizado” e “contribuir para melhorar a cultura da literacia fílmica dos participantes, entre outros”. Os resultados com o evento tem sido inquestionável, por estar possibilitado aos participantes a aquisição e ampliação das competências da literacia sobre os média.

MESA 2 – Rádio e cidadania

Moderador: Maria José Brites

Sala: Amarela (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 11h30-13h00

 

Rádio para surdos? Notas de um relatório europeu sobre possibilidades tecnológicas para tornar o discurso radiofónico mais visual e legível

Fábio Ribeiro

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: rádio; surdos; serviço público; integração; cidadania.

Resumo:

A inacessibilidade dos surdos à rádio parece um facto incontornável da vida quotidiana. Em Portugal, a primeira emissão de rádio traduzida para Língua Gestual Portuguesa foi realizada pela TSF em 2005, ao longo de 14 horas transmissão, incluindo os noticiários, o programa de opinião pública «Fórum» e um relato de Futebol (cf. Diário de Notícias, 06-04-2005). A Rádios Mãos à Conversa, uma webradio de conteúdos jornalísticos e destinada à comunidade surda, inovou neste segmento, propondo conteúdos a um público até então excluído por impossibilidade técnica, a possibilidade de ter acesso a conteúdos pensados para rádio e construídos de acordo com a linguagem sonora da rádio, um projeto desenvolvido na Escola Superior de Educação de Portalegre (Silva et al., 2013).

A partir da realidade do serviço público de rádio de Portugal e do Reino Unido (RDP e BBC), a presente comunicação pretenderá apresentar resultados de uma investigação exploratória sobre a possibilidade de incluir pessoas com problemas auditivos na rádio. A investigação resulta de um inquérito a jornalistas de ambas estações, no sentido de perceber que avaliações fazem destas experiências nas suas emissoras; um inquérito por questionário a cerca de 30 estudantes universitários, refletindo sobre que representações sociais partilham sobre este tema; entrevistas semiestruturadas a responsáveis de organizações que trabalham diariamente com surdos na sua relação com a vida pública e com os média, como é caso da instituição sem fins lucrativos Deafax (Inglaterra); por fim, recolhemos algumas práticas positivas de integração dos surdos na rádio em vários contextos internacionais.

As conclusões avançadas nesta comunicação resultam essencialmente de uma investigação que se concretizou na publicação de uma brochura intitulada ‘Radio for Deaf People - Have you heard about it?', enquadrada e financiada pelo programa MEDIANE (Media in Europe for Diversity Inclusiveness) do Conselho da Europa.

________________________________________________________________________

As potencialidades educativas da rádio em ambiente digital

Mariana Guerreiro

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Palavras-chave: Media, crianças, jovens, rádio e educação.

Resumo:

O panorama comunicacional atual pauta-se pela multiplicidade de meios e de canais de produção e difusão de conteúdos. A rádio, na tentativa de integrar este cenário, alia-se à internet criando plataformas digitais que assegurem a divulgação dos seus conteúdos e reformulando a relação que estabelece com os ouvintes.

Refletindo sobre o impacto dos media na sociedade atual, interrogamo-nos sobre o papel da escola enquanto veículo transmissor de conhecimento e qual a relação que estabelece com os meios de comunicação. O papel de destaque da internet aliada aos meios de comunicação desperta o interesse para a educação para os media e a pertinência da sua discussão em relação às crianças e jovens.

A par da atualidade deste tema, surgem projetos e iniciativas que pretendem utilizar os recursos cedidos pelos meios de comunicação e internet para potenciar o acesso a um conhecimento informado. Alguns deles utilizam a rádio, em ambiente digital, com o intuito de reforçar e estimular o desenvolvimento ou aperfeiçoamento de capacidades de comunicação e expressão das crianças e jovens participantes. Este meio de comunicação, aliado ao digital, torna-se de fácil acesso e custo, o que permite um investimento relativamente baixo para a execução dos projetos.

Nesta proposta de comunicação exploramos as potencialidades educativas da rádio para crianças e jovens de dois projetos distintos. Um dos projetos encontra-se integrado em ambiente escolar e o outro em ambiente extraescolar com perspetivas de inclusão social. O objectivo deste trabalho é explorar o potencial da rádio enquanto meio educativo. Assim, depois de realizados os grupos de foco, entrevistas e observação, são apresentados os resultados que se focam na análise das competências técnicas e sociais, da importância da educação para os media, das dinâmicas da educação formal e não formal e dos entraves e facilidades à execução dos projetos.

________________________________________________________________________

O rádio educativo na percepção de professores da educação básica – O caso rádio escolar do Programa Mais Educação

Edgard Patrício

Universidade Federal do Ceará

Palavras-chave: rádio; educação; comunicação; política.

Resumo:

O Programa Mais Educação, implantado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC) do Brasil, pretende desenvolver uma política pública de educação integral para as escolas brasileiras. A oferta de atividades do Programa Mais Educação é dividida em ‘macrocampos’. Um dos macrocampos é o ‘Comunicação e Uso de Mídias’. Nesse macrocampo são oferecidas às escolas públicas atividades relacionadas ao jornal escolar, rádio escolar, história em quadrinhos, fotografia e vídeo. Dados incluindo a adesão realizada pelas escolas em 2011 apontam Fortaleza, capital do estado, com 108 escolas optantes pelas rádios escolares, com a participação de mais de 15 mil estudantes. Essa Comunicação analisa uma pesquisa realizada, no ano de 2014, em 21 escolas de Fortaleza integradas ao Mais Educação e que fizeram opção pela rádio escolar. Foram realizadas 124 entrevistas, a partir de um questionário de 63 questões, com a comunidade escolar, incluindo diretores, estudantes e professores. Optou-se, para esse trabalho, por um recorte dos perfis dos entrevistados. Vamos tratar aqui, especificamente, da percepção dos professores sobre o rádio educativo. Foram entrevistados 42 professores, das 21 escolas participantes da pesquisa. Para essa discussão, nos apropriamos de duas perguntas no instrumental básico de pesquisa que foi aplicado nas entrevistas. A primeira, ‘o que é o rádio educativo para você?’; a segunda, ‘dê um exemplo de como poderia ser um programa de rádio educativo? A análise dos resultados aponta ora para uma aproximação, ora para um distanciamento da proposta pedagógica definida pelo MEC para a dinamização do macrocampo Comunicação e Uso das Mídias. E delimita limites para a implantação de políticas públicas na área da comunicação e educação, a partir da visão de Kaplun (1973) e Freire (1997).

 

MESA 3 – Inclusão social e digital

Moderador: Teresa Calçada

Sala: Verde (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 11h30-13h00

Educação para os media e inclusão: uma possível sinergia

Simone Petrella

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Educação para os media; crise socioeconómica; competências mediáticas; inclusão digital e social.

 

Resumo:

Ao olhar para as recentes e dramáticas transformações do contexto socioeconómico e financeiro nacional, encontramos um cenário onde se destacam a profunda crise do mercado do trabalho, o crescimento constante da taxa de desemprego e o elevado índice de pobreza e risco de exclusão, digital e social. Nesta realidade social a capacidade de adquirir e utilizar conhecimentos e competências mediáticas torna-se condição cada vez mais essencial para se ser incluído e para participar ativa e independentemente na moderna sociedade da informação. Emerge por isso a necessidade de refletir sobre os conhecimentos alcançados e as soluções implementadas em Portugal relativamente à exclusão digital e social assim como sobre a sua relação e sinergia com a educação para os media. A questão que nos guia é se, e como, pode a educação para os media representar uma ferramenta educativa no combate à exclusão e outras problemáticas emergentes da atual cenário de crise socioeconómica. Para responder exaustivamente a esta questão iremos construir um quadro geral da situação nacional relativamente à inclusão e à educação para os media. Valer-nos-emos do relatório Social inclusion and media literacy in the EU countries most affected by the economic crisis. The case of Portugal, realizado em 2014 no âmbito do projeto europeu European Media Literacy Education Study (EMEDUS). Objetivo do relatório foi identificar o que de relevante foi até hoje desenvolvido, em termos de programas governamentais, estudos e iniciativas que juntam as duas dimensões referida, e avançar possíveis propostas para a implementação de políticas e de ações futuras. Para alimentar este debate, a reflexão centrar-se-ia nos processos e resultados de investigações e projetos de intervenção, realizados e em curso em Portugal, que utilizam de forma inovadora os recursos e a tradição da educação para os media em resposta a situações de exclusão digital e/ou social.

________________________________________________________________________

A influência das novas tecnologias de informação e comunicação nas relações sociais de pessoas mais velhas em Portugal

Celiana Azevedo

CIMJ e CESNOVA, Universidade de Lisboa

Palavras-chave: Idoso; tecnologia; inclusão social; Portugal.

Resumo:

Esta comunicação apresentará os resultados de uma investigação desenvolvida com base em duas tendências que têm afetado a sociedade portuguesa: a evolução e difusão das tecnologias de informação e comunicação e o envelhecimento da população, ou seja, a sociedade de informação está a envelhecer.

Assim, analisamos a apropriação e o uso do telemóvel, do computador e da internet por quatro grupos de seniores com idades entre 61 e 93 anos e tentamos perceber, através de suas narrativas, como a apropriação dessas tecnologias influencia em suas relações sociais e mais especificamente responder à seguinte pergunta: qual a importância do uso e apropriação das novas tecnologias de informação e comunicação, nomeadamente o telemóvel, o computador e a internet nas relações sociais de grupos de pessoas mais velhas em Portugal?

Utilizamos uma metodologia qualitativa – grupos focais - que consiste em uma discussão coletiva, onde os participantes são encorajados a falar uns com os outros trocando pontos de vista com o objetivo de gerar conteúdo, explorando experiências e identificando como e porquê as pessoas pensam de uma determinada maneira. Trabalhamos com 21 seniores divididos em quatro grupos e que vivem na região de Lisboa.

A primeira conclusão que podemos apontar é que as apropriações e usos que estes seniores dão às tecnologias foram influenciadas pelas suas histórias de vida e que diferenças sociais, de classe, de cultural, geográficas, de educação, de carreiras profissionais, juntas, definiram uma série de expectativas, necessidades e competências que marcaram diretamente o modo como lidam com o telemóvel, o computador e a internet. O telemóvel foi maioritariamente visto como indispensável para as relações sociais e uma ajuda no caso de emergência. O computador e a internet foram apontados como benéficos, ajudando a construir novas perceções de tempo e espaço.

A partir das narrativas analisadas, assim como os componentes teóricos que apresentamos, podemos afirmar que a apropriação e uso do telemóvel, do computador e da internet pelos grupos de pessoas que participaram nesta pesquisa, influencia positivamente nas suas relações sociais. Também verificamos que usar essas tecnologias é uma forma de potenciar a interação social e, portanto, manter uma ligação com outras pessoas é importante para envelhecer com qualidade de vida.

_____________________________________________________________________

Ludobibliotecas Escolares e Comunitárias das Escolas Básicas do Concelho de Cascais sob gestão e dinamização da Freguesia Cascais Estoril

Ana Rocha

Junta de Freguesia Cascais Estoril

Palavras-chave: ludicidade literacia; ludobiblioteca; família; comunidade.

Resumo:

Este resumo pretende dar a conhecer o projeto de uso partilhado da ludobibliotecas das escolas do 1º ciclo e jardim de infância do Concelho de Cascais entre a comunidade escolar e não escolar, como espaço de leitura, de lazer e de ludicidade.

A forma como a família pode influenciar as aprendizagens individuais e coletivas tem vindo a ser um ponto de interesse constante no ensino, que se revela na abertura das escolas à comunidade. Desde a implementação da primeira ludo-biblioteca em 2010 com abertura à comunidade, que mais 5 espaços abriram com este desafio. Os resultados têm mostrado que o envolvimento de ambas as partes tem promovido a melhoria da qualidade do tempo de permanência das crianças na escola, e a disponibilidade de aceder o livremente a espaços culturais. A parceria partilhada entre os agrupamentos de escolas, a Câmara Municipal de Cascais e a junta de freguesia Cascais e Estoril, tem contribuindo para a escola como estatuto de referência com a comunidade e património local [material e imaterial], reforçando a criação e o enriquecimento de hábitos culturais transdisciplinares entre a escola, a família e a sociedade.

Este estudo foca-se no desenvolvimento de competências âmbito do incentivo á leitura, lazer e ludicidade, e das acessibilidades (físicas, intelectuais e emocionais).

Tem como objectivos identificar estratégias que possam manter o projeto e que contribuam para o bem-estar da família/comunidade. A metodologia utilizada baseia-se nos relatórios trimensais, avaliação das atividades e dinâmicas por parte da comunidade participante, e dos resultados da avaliação da rede de bibliotecas escolares. Uma vez validado o estudo, propor-se-á um conjunto de estratégias, e de partilha entre ludobibliotecas, no sentido de garantir uma sustentabilidade do projeto, e autonomia de participação.

________________________________________________________________________

Histórias em quadrinhos na formação de professores: uma discussão necessária

Paulo Ramos

Universidade Federal de São Paulo

Palavras-chave: histórias em quadrinhos; humor; ensino.

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo discutir a necessidade de inclusão do estudo de histórias em quadrinhos nos cursos universitários voltados à formação de professores de línguas materna e estrangeira. A premissa é ancorada na inserção dessas produções, que circulam por diferentes mídias, no campo educacional brasileiro, objeto de análise desta exposição. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), desenvolvidos pelo governo federal para serem aplicados no ensino básico brasileiro (ensinos fundamental e médio), incluem os quadrinhos entre os gêneros multimodais a serem trabalhados em sala de aula. Embora careça de uma explicação sobre como trabalhar tais conteúdos junto aos alunos, foi a primeira vez que um documento oficial do país mencionou as histórias em quadrinhos como itens possíveis de serem aplicados no ensino. Até então, elas ficavam à margem, ora vistas com resistência ou preconceito, ora ignoradas, ora usadas pontualmente para exposição de conteúdos gramaticais. A percepção de que o domínio de textos com distintas modalidades deva figurar na agenda de leitura e escrita dos alunos é corroborada por autores como Rojo (2012), que usa o termo multiletramento para sintetizar tais concepções. Especificamente sobre os quadrinhos, essa visão é compartilhada ainda por Ramos (2012), para quem a leitura dos quadrinhos pressupõe o necessário domínio dos recursos próprios de sua linguagem. Para além da exposição teórica, pretende-se também apresentar uma possibilidade de aplicação de histórias em quadrinhos em cursos de licenciatura, de modo a corroborar a necessidade de inserção do tema na área de Letras. O conteúdo irá se centrar numa experiência realizada num curso brasileiro de Letras, voltado a formar docentes para o ensino de línguas materna e estrangeira.  Postula-se que os resultados dessa aplicação ajudaram a trazer um olhar transformador sobre a questão, que, espera-se, seja refletido nas atividades didáticas dos futuros docentes.

 

MESA 4 – Literacia e numeracia

Moderador: Margarida Toscano

Sala: Vermelha (Microsoft)

Sexta-feira, 17 de abril, 11h30-13h00

Numeracia: uma janela com vista para a sociedade de informação

Carla Santos

Cristina Dias

Instituto Politécnico de Beja, Instituto Politécnico de Portalegre, Centro de Matemática e Aplicações, Faculdade de Ciências e Tecnologia, UNL

Palavras-chave: numeracia; sociedade da informação; media; cidadania.

Resumo:

Com o advento da sociedade da informação, muita da informação que até aí era restrita a determinados círculos passou a estar ao alcance do cidadão comum, tornando-se parte da sua vida quotidiana. Grande parte dessa informação chega, não apenas através da palavra, mas, cada vez mais, através de números ou gráficos, pelo que a numeracia, enquanto capacidade de compreensão e utilização de informação numérica, se tornou indispensável na vida pessoal e profissional e tão imprescindível, para uma cidadania informada e participativa, quanto saber ler e escrever.

Neste trabalho analisamos a evolução do conceito de numeracia, desde o seu aparecimento em 1959 até aos nossos dias, como reflexo da crescente importância da Matemática, em paralelo com o desenvolvimento da ciência e tecnologia. Alertamos para a extrema importância da numeracia para a compreensão do mundo que nos rodeia e como peça fulcral para o desenvolvimento da literacia mediática e outras. Tentamos perceber por que razão, apesar de tudo, continua a ser socialmente aceitável uma reduzida numeracia e porque é ainda, por muitos, desvalorizada a necessidade de se promover o desenvolvimento do raciocínio e competências matemáticas a par de outras competências consideradas essenciais. Refletimos sobre a aparente contradição entre a concretização de uma escolarização massificada e os reduzidos níveis de numeracia demonstrados tanto pelos estudantes como pela população adulta em Portugal. Procuramos descobrir de que forma os media têm contribuído, e poderão contribuir, para a alteração da forma como a sociedade encara a numeracia e de que forma os media podem ser utilizados na promoção e desenvolvimento dessa mesma numeracia.

________________________________________________________________________

A matemática na imprensa diária portuguesa

Susana Pereira

José Azevedo

António Machiavelo

Faculdade de Ciências, Universidade do Porto; Faculdade de Letras, Universidade do Porto

Palavras-chave: comunicação, media, matemática, jornais, erros.

Resumo:

O problema do mau uso da matemática pelos profissionais de comunicação foi identificado há já várias décadas, principalmente nos EUA. Apesar disso e da crescente importância que a informação matemática assume na sociedade atual, só atualmente o problema se encontra em estudo no que se refere à imprensa portuguesa.

O presente artigo retrata os resultados de uma análise do uso de matemática nas notícias dos principais jornais diários generalistas portugueses. Esta análise foi conduzida em edições dos jornais Público, Correio da Manhã e Jornal de Notícias durante um período de 3 meses e surge no seguimento de um estudo semelhante conduzido pelos autores em jornais semanários portugueses.

Especificamente, este estudo centra-se na categorização dos erros matemáticos e também na sua contagem.

Os resultados apontam para a existência de erros matemáticos em quase metade dos artigos analisados do Correio da Manhã (45%), em cerca de 35% dos artigos do Público e cerca de 18% dos artigos do Jornal de Notícias.

No que se refere aos tipos de erros identificados, verificou-se que em qualquer um dos três jornais, os artigos nos quais existem erros apresentam, na sua maioria, apenas um tipo de erro. Além disso, excetuando no caso do Jornal de Notícias, os erros mais frequentes são do tipo subjetivo (isto é, que constituem omissão ou distorção de informação). Decorrente da classificação dos erros quanto à sua natureza matemática, observou-se ainda que os erros mais comuns no Correio da Manhã são estatísticos, enquanto no Público são mais frequentes os erros do tipo numérico. No Jornal de Notícias os erros mais comuns são estatísticos e numéricos, na mesma proporção.

Neste artigo discutem-se ainda os resultados em termos das dimensões explicativas para os erros que ocorrem.

________________________________________________________________________

A cidadania através da literacia matemática

Alice Santos

Faculdade de Ciência e Tecnologia, Universidade do Algarve

Palavras-chave: Pedagogia crítica; literacia matemática; cidadania.

Resumo:

Quando se assenta o ensino da matemática numa pedagogia crítica é com o intuito primordial de tentar capacitar os alunos para que possam vir a ser cidadãos mais críticos e participativos socialmente, entendendo a literacia matemática como imprescindível ao aprofundamento e à compreensão dos contextos sociopolíticos dos quais fazemos parte. Skovsmose (1994) emprega o termo mathemacy traduzindo-o como “uma competência por meio da qual nos tornamos capazes de interpretar e entender as características da nossa realidade social”. Para Ponte (2002) a capacidade de utilizar conhecimentos matemáticos na resolução de problemas da vida quotidiana, e a capacidade de interpretar informação estatística são reconhecidas como aspectos fundamentais da literacia do cidadão da sociedade moderna.

Seguindo uma perspetiva de investigação qualitativa e uma metodologia participativa mostrar-se-á como se desenvolveu um ambiente de aprendizagem ligado aos interesses dos alunos e/ou às suas problemáticas e a sua adaptação aos processos de modelação matemática. Uma das formas para ler o mundo com a matemática é dissecar e desconstruir as mensagens veiculadas pelos meios de comunicação (media), e usar a matemática para analisar esses fenómenos, tanto em casos específicos próximos como num mundo social mais amplo (Gutstein 2003). De acordo com esta ideia, criou-se um projeto, com a durabilidade de um período letivo, com alunos de uma turma de currículo alternativo –“Usar números para descrever o mundo” - que englobou as práticas de aprendizagem matemática, pensamento crítico e a análise de uma questão social que levasse à compreensão das relações de poder ou de distribuição desigual de recursos ou de riqueza.

Este projeto permitiu não só a aplicabilidade de conhecimentos matemáticos específicos para adquirir novas sensibilidades em assuntos diretamente ligados aos media, como também levou os alunos a refletirem e a quererem atuar sobre o mundo à sua volta.

___________________________________________________________________

PORDATA – qual o seu contributo para o conhecimento da realidade portuguesa e a participação cívica?

Teresa Cardoso

PORDATA/Base de Dados Portugal Contemporâneo

Palavras-chave: PORDATA, literacia estatística, participação cívica

Resumo:

Criada há 5 anos atrás, a PORDATA (www.pordata.pt) nasceu com a vontade de ajudar os portugueses a conhecer a realidade que os cerca e a promover a literacia estatística. Não se apresentou como uma nova fonte de dados mas antes com a missão de agregar e simplificar o acesso de dados apresentados por mais de 60 fontes oficiais.

Assim começou com doze temas sobre a realidade nacional: a população, a educação, saúde, a justiça, o emprego, a proteção social, as contas nacionais, as contas do Estado, a cultura, as empresas, a habitação e conforto, e as despesas da famílias, os quais se propunham a lançar os dados dos últimos 50 anos. A estes seguiram-se novos âmbitos geográficos (NUTS, municípios e diferentes países da união europeia), novos temas (ambiente e território, desporto, ciência, participação eleitoral, turismo, entre tantos outros) e também novas forma de analisar os dados (mapas dinâmicos, gráficos animados, quadros resumo, vídeos, exposições, etc.).

Tudo isto se fez em parceria com a sociedade civil, a qual foi manifestando necessidade de dados sobre diferentes áreas, propondo melhorias na navegação do site e levando a Pordata aos mais vastos contextos da nossa sociedade.

A par do crescimento da base de dados, a equipa da PORDATA foi procurando fazer a ponte com todos aqueles que mais necessidades poderiam ter deste instrumento de conhecimento. Entre muitas outras áreas da sociedade civil, fomos cada vez mais estreitando a colaboração com as escolas públicas portuguesas, particularmente aquelas que lecionam o ensino secundário. Resultaram desta proximidade - mediada pela Rede de Bibliotecas Escolares - centenas de formações em contexto de sala de aula tanto para professores como para alunos, a elaboração de trabalhos escritos e audiovisuais, debates escolares, fichas de trabalho, entre tantos outros exemplos.

É desta experiência que nos proporemos a falar durante o congresso “ Literacia, Media e Cidadania”. Da forma como a PORDATA tem vindo a servir professores e alunos não só a aprofundar os programas curriculares como também a aumentar o conhecimento de Portugal e por essa via aumentar o seu desejo de participação cívica.

___________________________________________________________________

Literacia White Hat: O hacker na intersecção entre Media, Literacia e Cidadania

Nuno Neves

Centro de Literatura Portuguesa, Universidade de Coimbra

Palavras-chave: hacker; cidadania digital; media.

Resumo:

O advento da era digital e a ideia da possibilidade de construção daquilo que Marshall McLuhan apelidou de aldeia global abriu caminho, já nos anos 60, para um conjunto de narrativas utópicas com base nas possibilidades de interação e de colaboração oferecidas pelas tecnologias emergentes. Não tardou para que essa ideia do mundo cibernético como local de possibilidades emancipatórias desse lugar ao desencanto de discursos como os de Douglas Rushkoff, Paul Virilio ou Eugenio Trivinho e ao surgimento de correntes estéticas e culturais, como o cyberpunk, onde a tecnologia não é já sinónimo de possibilidades emancipatórias mas sim suporte para a construção de mundos distópicos.

No centro deste debate, e fortemente mediatizada e estereotipada pelos meios de comunicação de massas, nomeadamente o cinema em filmes como War Games, de 1983, ou Matrix, já de 1999, encontramos a figura do hacker que, largamente romantizada, se torna incontornável na história e no desenvolvimento da cultura digital.

Partindo da ética hacker definida por Steven Levy, em 1984, na sua obra Hackers: Heroes of the Computer Revolution, proponho pois que pensemos a intersecção entre Literacia, Media e Cidadania a partir desta figura e deste conceito – o hacking -  que Jude Milhon, famosa hacker norte-americana da área de São Francisco, definiu como “[…] the clever circumvention of imposed limits, whether those limits are imposed by your government, your own personality, or the laws of Physics.".

Levando-nos ao debate sobre conceitos como cultura participativa e literacia crítica, e permitindo a reflexão sobre novas formas de literacia dos e nos espaços sócio-tecnológicos, esta proposta permitirá trabalhar também sobre algumas questões. De que forma permite aquela abordagem uma construção activa e autónoma do conhecimento?  Como poderemos pensar no meio digital como espaço privilegiado para o desenvolvimento de uma cidadania crítica e participativa?

________________________________________________________________________

COMUNICAÇÕES LIVRES 2

SEXTA-FEIRA, 17 DE ABRIL, 16h15-17h45

MESA 5 – Crianças, jovens e notícias

Moderador: Ana Jorge

Sala: Azul (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 16h15-17h45

O jornalismo e o quotidiano, a indústria e os jovens

Maria José Brites

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho; Universidade Lusófona do Porto

Palavras-chave: literacia para as notícias, jovens, quotidiano, media noticiosos.

Resumo:

Nesta proposta de comunicação, considera-se que a literacia para as notícias constitui uma importante fonte de orientação para a vida quotidiana e que as ferramentas jornalísticas são elementos fundamentais para engajar jovens na prática da cidadania.

O jornalismo, enquanto processo de seleção, recolha, tratamento e difusão da informação de interesse público, é uma ferramenta poderosa para ser usada a nível educativo e como meio de empoderamento de comunidades. A literacia para o jornalismo tem, assim, uma ligação intrínseca com a literacia para a cidadania (Milner, 2009; Moeller, 2009; Mihailidis, 2012; Hobbs, Geltner e Landis, 2011; Brites, 2013; Brites, Jorge e Santos, 2014). O jornalismo, por esta via, pode ser um modelo democrático para os públicos, mesmo os mais jovens.

Nesta apresentação indica-se os resultados preliminares de uma investigação em curso sobre literacia para as notícias, participação e jovens – AN-Lite: Audiências, Notícias e Literacia (SFRH/BPD/92204/2013) – incidindo neste caso nas entrevistas realizadas com jornalistas e editores de media tradicionais e não tradicionais e ainda com jovens. A questão central prende-se com a reflexão em torno do papel das notícias na vida quotidiana, incidindo nas considerações da indústria de notícias e nas audiências jovens. O cruzamento entre o que as indústrias das notícias e as audiências produtivas pensam sobre estes processos aponta para uma ligação ativa necessária entre jornalistas e a sociedade que os rodeia. Já por parte das audiências ativas e produtivas, identifica-se um certo fascínio pelo que os jornalistas fazem, mesmo quando estes jovens dizem não gostar de notícias, e também sobre a forma como isso pode contribuir, por exemplo, para melhor atuar nas tarefas quotidianas, como as escolares.

________________________________________________________________________

A voz de crianças e jovens nas notícias: o desafio da inclusão para os jornalistas

Lidia Marôpo

Universidade Autónoma de Lisboa; Cesnova, Universidade Nova de Lisboa

Palavras-chave: Fontes de informação; crianças e jovens; jornalismo; notícias.

Resumo:

O sistema mediático mundial é marcado por uma extrema concentração de atores capazes de influenciar a construção simbólica da realidade. Grande parte da população não participa de forma ativa nas narrativas noticiosas sobre o que acontece no mundo, incluindo os temas e acontecimentos que lhes dizem diretamente respeito. É o caso das crianças e jovens, cujo silenciamento limita a gama de histórias que entram no enquadramento noticioso, dificultando também o seu reconhecimento enquanto grupo capaz de contribuir de forma valorosa para o debate social.

Devido ao seu estatuto minoritário e a constrangimentos no exercício do jornalismo, é reservada às crianças e jovens frequentemente uma representação noticiosa restrita a valores-notícia como a morte (vítimas) ou a infração (delinquência), num retrato estereotipado criticado por inúmeros estudos.

Nosso objetivo é debater os desafios para a inclusão de crianças e jovens como fontes de informação nas notícias e apontar caminhos para superar estas dificuldades. Como resolver a falta de preparo dos jornalistas para falar com os mais novos? Como ouvir crianças e jovens numa perspectiva de análise dos problemas noticiados se em geral estes não tiveram oportunidade para debater sobre o tema? Como torná-los fontes representativas se falam apenas individualmente e não em nome de outras crianças e jovens? Como lidar com as instituições que dificultam o acesso e não incluem a voz destes nos seus documentos? Como enfrentar uma maior exigência de tempo e de recursos para entrevistá-los?

Discutiremos estas questões com base numa ampla revisão de literatura e em entrevistas realizadas com 20 jornalistas no Brasil e em Portugal que cobrem regularmente temas relacionados diretamente com crianças ou produzem conteúdos noticiosos destinados a uma audiência infanto-juvenil.

________________________________________________________________________

Os jovens e o acompanhamento das notícias sobre a atualidade: uma revisão da literatura

Ana Melro

Sara Pereira

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Jovens; notícias; infotainement; soft e hard news; atualidade; cidadania; literacia mediática.

 

Resumo:

O que procuram os jovens de hoje em dia para se informarem sobre a atualidade, que usos fazem dessa informação e de que forma esses conteúdos contribuem para uma participação ativa na vida cívica são problemáticas que têm vindo a ser discutidas por vários autores à luz de correntes mais ou menos divergentes.

Com base numa revisão da literatura, a presente comunicação pretende refletir acerca do papel das notícias no quotidiano dos jovens e do impacto do acompanhamento da informação sobre a atualidade na participação cívica das gerações mais novas.

Partindo de dados estatísticos de duas instituições internacionais (The Pew Research Center, 2012 e Reuters Institute for the Study of Journalism, 2013) e uma nacional (Marketest, 2012), que revelam, de um modo geral, uma tendência para uma diminuição da preferência dos jovens pelas notícias sobre assuntos políticos, em particular, e para um aumento da preferência por conteúdos mediáticos, situados entre a esfera da informação e do entretenimento, encontrámos na literatura existente perspetivas divergentes para explicar o fenómeno.

Por um lado, teorias que argumentam que o acompanhamento das soft news ou infotainment, por parte dos jovens, pode comprometer o futuro dos media e da democracia, por outro, as que defendem que esse acompanhamento pode ter um potencial positivo na formação dos cidadãos acerca dos assuntos políticos, encorajando-os a pensar criticamente acerca das hard news.

Apesar do debate controverso, existem autores que argumentam que o caminho para a cidadania reside sobretudo no desenvolvimento de competências críticas e na capacidade de dar voz aos interesses e ideologias dos jovens enquanto cidadãos, fazendo uso das potencialidades das novas ferramentas (Buckingham, 2000; Dahlgreen, 2011; Cushion, 2009; entre outros). Reconhece-se, no entanto, a necessidade de aprofundarem-se os conceitos de notícia, informação e atualidade num sistema mediático cada vez mais abrangente.

A presente comunicação realiza-se no âmbito de uma Bolsa de Doutoramento intitulada “O (des)interesse dos jovens pela atualidade: estudo sobre o papel dos media na informação sobre o mundo” (SFRH/BD/94791/2013) financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e cofinanciada pelo QREN e POPH.

________________________________________________________________________

As Crianças, as Notícias e o Conhecimento do Mundo

Patrícia Silveira

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: crianças; atualidade; perceções; literacia para as notícias.

 

Resumo:

Há estudos que demonstram que as crianças não se interessam pelas notícias da atualidade, revelando apatia e alienação perante estes conteúdos, sobretudo quando dizem respeito a questões políticas e económicas (Buckingham, 2000); outros consideram que estes públicos são ativos nos usos que fazem das notícias, demonstrando motivações e necessidades na relação com os media e os seus discursos, ao mesmo tempo que revelam posturas críticas, sabendo o que querem das notícias e que transformações poderiam ser desencadeadas, neste domínio, de modo a atrair as audiências infantis (Alon-Tirosh & Lemish, 2014; Delorme, 2013).

Em Portugal, as pesquisas desenvolvidas sobre esta problemática são pontuais, não permitindo traçarem-se conclusões a respeito do modo como as crianças, hoje, se relacionam com a atualidade. Partindo dessa lacuna, este estudo pretende apresentar os resultados de uma investigação de doutoramento, em curso, que tem como objeto de estudo as crianças e as suas perceções sobre as notícias. Concretamente, espera-se compreender de que modo estas audiências se relacionam com as notícias, que sentidos produzem sobre esses assuntos e qual a implicação dos mesmos para o modo como a criança conhece o mundo mediato e imediato.

Através da administração de um inquérito por questionário a 690 crianças a residir no norte do país, algumas das conclusões obtidas permitem concluir que as notícias fazem parte do quotidiano das crianças e que estas demonstram interesse por estes conteúdos. Ao mesmo tempo, as crianças reconhecem a importância da atualidade para o conhecimento do mundo e procuram estar a par dos assuntos para saber o que se passa local e globalmente, revelando, ainda, uma postura crítica perante o modo como os acontecimentos são noticiados.

Esta questão torna-se um desafio para a educação para os media, na medida em que reclama por uma intervenção informada junto das crianças, para que estas possam desenvolver competências que lhes permitam saber lidar com as emoções e os significados provenientes da exposição a certos acontecimentos e, ao mesmo tempo, adotar uma postura crítica e esclarecida face ao modos de olhar o mundo propostos pelos media.

________________________________________________________________________

MESA 6 – Literacia e tecnologias digitais

Moderador: Sérgio Gomes da Silva

Sala: Amarela (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 16h15-17h45

A literacia das ferramentas web 2.0 é relevante no contexto educacional?

Cristina Dias

Carla Santos

Instituto Politécnico de Portalegre, Instituto Politécnico de Beja, Centro de Matemática e Aplicações, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

 

Palavras-chave: Numeracia; sociedade da informação; media; cidadania.

 

Resumo:

Com o advento da sociedade da informação, muita da informação que até aí era restrita a determinados círculos passou a estar ao alcance do cidadão comum, tornando-se parte da sua vida quotidiana. Grande parte dessa informação chega, não apenas através da palavra, mas, cada vez mais, através de números ou gráficos, pelo que a numeracia, enquanto capacidade de compreensão e utilização de informação numérica, se tornou indispensável na vida pessoal e profissional e tão imprescindível, para uma cidadania informada e participativa, quanto saber ler e escrever.

Neste trabalho analisamos a evolução do conceito de numeracia, desde o seu aparecimento em 1959 até aos nossos dias, como reflexo da crescente importância da Matemática, em paralelo com o desenvolvimento da ciência e tecnologia. Alertamos para a extrema importância da numeracia para a compreensão do mundo que nos rodeia e como peça fulcral para o desenvolvimento da literacia mediática e outras. Tentamos perceber por que razão, apesar de tudo, continua a ser socialmente aceitável uma reduzida numeracia e porque é ainda, por muitos, desvalorizada a necessidade de se promover o desenvolvimento do raciocínio e competências matemáticas a par de outras competências consideradas essenciais. Reflectimos sobre a aparente contradição entre a concretização de uma escolarização massificada e os reduzidos níveis de numeracia demonstrados tanto pelos estudantes como pela população adulta em Portugal. Procuramos descobrir de que forma os media têm contribuído, e poderão contribuir, para a alteração da forma como a sociedade encara a numeracia e de que forma os media podem ser utilizados na promoção e desenvolvimento dessa mesma numeracia.

________________________________________________________________________

Instalação digital: um projeto de intervenção na comunidade escolar, por alunos do 5º ano de escolaridade

Ana Teixeira

Lia Oliveira

Universidade do Minho

Palavras-chave: educação pela arte e tecnologia, instalação digital artística, literacia digital artística.

 

Resumo:

A valorização da educação pela arte e pela tecnologia gera mudanças de práticas pedagógicas que promovem o autoconhecimento, convocando uma multiplicidade de saberes que propiciam a leitura e escrita do mundo, na acepção introduzida por Paulo Freire.

A instalação digital — que consiste num projeto de intervenção artística — teve como mote o conceito Artemetria, mais conhecida por String Art. Constituindo este trabalho um estudo de caso, interessa-nos compreender as potencialidades do uso de utensílios digitais nas áreas de Educação Visual e Educação Tecnológica, aferir o envolvimento dos alunos de uma turma do 5º ano de escolaridade em regime de trabalho colaborativo de projeto e avaliar o impacto na comunidade escolar. O estudo desenvolveu-se ao longo de 12 sessões de 90 minutos cada, desenvolvendo temas distintos que integram a instalação, de acordo com os interesses dos alunos.

Os objetivos foram os seguintes: promover a metodologia de projeto em sala de aula; possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre o uso das TIC; promover a inovação, criatividade e autonomia; fomentar a participação ativa e interventiva; perceber em que medida o uso das TIC facilita o processo de comunicação e interação em contexto educativo.

Para a recolha de dados recorremos à análise documental, a inquéritos (questionários e entrevistas) e a observação.

Pelos resultados obtidos, a prática do ensino artístico com a incorporação da tecnologia na sala de aula, socorrendo-se da metodologia de projeto, favoreceu o domínio dos utensílios digitais, a aplicação do currículo prescrito e a aquisição de competências transversais de forma coesa, célere e motivante. Na apresentação do projeto, a comunidade escolar mostrou-se claramente recetiva e comprazida. Iniciativas desta natureza constituem um desafio para o sistema educativo e para os professores, garantido, porém, a formação de cidadãos criativos, inovadores e éticos. A experiência revelou-se bastante positiva em todas as dimensões analisadas.

________________________________________________________________________

As tecnologias digitais como apoio para o desenvolvimento dos letramentos acadêmicos Jossemar de Matos Theisen

Adriana Fischer

Universidade Católica de Pelotas, Fundação Universidade Regional de Blumenau, Centro de Ciências da Educação, Artes e Letras

 

Palavras-chave: Tecnologias digitais; universitários; letramentos acadêmicos.

 

Resumo:

O ingresso no ensino superior desafia universitários a vivenciarem novas situações de ensino e aprendizagem, originando outras posturas e identidades para administrar práticas de leitura e escrita propostas na universidade. Nesse contexto, o uso das tecnologias digitais pode contribuir para a realização das práticas de leitura e escrita, que constituem os letramentos acadêmicos, uma vez que essas tecnologias digitais já integram outras práticas sociais dos estudantes. Assim, o objetivo desta comunicação é apresentar uma pesquisa realizada com universitários ingressos em um curso de Letras de uma universidade federal no sul do Brasil, a qual investiga como estes realizam as atividades propostas pela universidade e como fazem uso das tecnologias digitais para a realização das mesmas. Os dados foram coletados com três estudantes no ano de 2013, após terem cursado a disciplina de Produção da Leitura e Escritura I. A pesquisa realizada é de caráter qualitativo, caracteriza-se por uma perspectiva etnográfica e os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com os acadêmicos. As análises baseiam-se nas marcas discursivas, que indicam como esses estudantes realizam as suas produções acadêmicas com o auxílio da internet. O aporte teórico está centrado nos Novos Estudos do Letramento (STREET, 2003; BARTON; HAMILTON, 2000; FISCHER, 2007) e nos letramentos acadêmicos (LEA; STREET, 2006; ZAVALA, 2010; MONTE MÓR, 2007; FISCHER, 2008, 2011). Os resultados da investigação apontam que os universitários, ao receberem determinada tarefa acadêmica, priorizam a pesquisa na internet ao invés do suporte impresso. Os estudantes costumam ler online as resenhas dos livros, para depois realizarem a leitura impressa dos livros. Assim, sentem-se mais seguros para produzir suas resenhas e resumos, pois, para além da estrutura, também sentem a necessidade de entender o funcionamento da resenha. Portanto, os dados indicam que as tecnologias digitais dão suporte às práticas de leitura em contextos acadêmicos.

________________________________________________________________________

Análise da atuação dos sujeitos brasileiros e portugueses no Facebook

Naiara Back,

Silvana Mota-Ribeiro

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Cibercultura, redes social, Facebook e identidade.

 

Resumo:

Esta investigação busca descobrir de que modo é construída a identidade e de que forma ocorre a interação e a criação de laços sociais no Facebook entre os sujeitos brasileiros e portugueses. Essa é a principal questão abordada nesta pesquisa, partindo de um enquadramento teórico que cruza os conceitos de Cibercultura, Redes Sociais, Facebook, Identidade, Interação e Laços Sociais e de um trabalho empírico que consiste na aplicação e interpretação de um inquérito. A questão abordada tem o objetivo de compreender a atuação de 20 sujeitos brasileiros e 20 sujeitos portugueses no Facebook para encontrar respostas para desenvolver estratégias de comunicação, podendo aplicar esta investigação na prática da atividade publicitária. Os resultados refletem sobre a importância e a contribuição das questões levantadas para a comunicação estratégica nas redes sociais, com ênfase no Facebook, identificando o que os sujeitos almejam para construírem suas identidades, como interagem e criam laços com os demais.

________________________________________________________________________

Gaming, cultura e ciberespaço: sobre o “MIMIMI” em torno de mass effect 3 e a compreensão crítica dos jogos digitais

Gilson Junior

Universidade Federal de Santa Catarina

 

Palavras-chave: Gaming; crítica; mass effect 3; comunidades virtuais.

 

Resumo:

Desdobramento de uma tese de mestrado, este paper tem como objeto as comunidades virtuais de jogadores – aqui entendidas como contextos de consumo, produção e circulação cultural –, propondo-se a discutir a respeito dos limites e das oportunidades destas em relação ao desenvolvimento de disposições críticas nas relações entre os videogames e seus consumidores. Metodologicamente, opera na perspectiva da etnografia de prática arqueológica, constituindo-se como um estudo de caso sobre a comunidade on-line UOL Jogos. Para isso, foram acompanhadas as principais atualizações veiculadas em três espaços pertencentes à referida comunidade, a saber: o site principal, o fórum e a página oficial no Facebook. Em termos de empiria, foram considerados todos os registros comunicacionais multimodais (textos, imagens, vídeos, arquivos de áudio) presentes nos referidos espaços. Por meio da polêmica envolvendo o jogo Mass Effect 3 e suas recepção no âmbito do jornalismo de games, problematiza as funções de alguns dos principais conteúdos presentes nestas comunidades, juntamente com o seu potencial de expandir a compreensão dos jogadores acerca dos games que jogam. Nesse sentido, observa que essa “aprendizagem” ocorre na medida em que tais conteúdos se mostram capazes de fornecer conceitos e informações significativas, que, por sua vez, permitem aos jogadores realizarem movimentos de expansão, complexificação e (res)significação de suas experiências de jogo. A despeito da extensa variedade de conteúdos que circulam pelas comunidades (on-line) de jogadores, destaca-se o protagonismo de três modalidades específicas, a saber: prévias (previews), notícias e análises (reviews). Por fim, sugere que, devido à sua carga ideológica, isto é, à sua permeabilidade aos interesses e às visões de mundo de seus produtores, muitos desses conteúdos acentuam a demanda por novas literacias (midiáticas) e competências críticas capazes de preparar os jogadores para os desafios presentes nos conteúdos culturais “dentro” e ao redor dos games que consomem.

MESA 7 – Media e públicos/consumidores

Moderador: Luís Pereira

Sala: Verde (Pavilhão do Conhecimento)

Sexta-feira, 17 de abril, 16h15-17h45

A percepção do comportamento social do dependente em Internet

Gustavo Sá

Universidade do Porto

 

Palavras-chave: Internet; individualismo; comunidade virtual; dependência.

Resumo:

Introdução: O presente trabalho pretende analisar a percepção da dependência da Internet a partir do ponto de vista do próprio usuário da rede. Movimento que tem gerado a expurgação gradativa dos indivíduos da vida social offline, minimizando as relações interpessoais.

Estado da arte: A questão central é refletir sobre o crescente movimento de migração do indivíduo para as comunidades virtuais e a opção deste por relações pautadas em "laços fracos" em detrimento do contato pessoal face-to-face. Buscar-se entender o por quê pela opção de imergir nessas comunidades para buscar novas oportunidades para a socialização, pluralizando exponencialmente as vozes. A análise incidirá sobre o indivíduo como um usuário da rede.

Novas perspectivas: Em termos de metodologia, a escolha para o desenvolvimento deste trabalho foi o uso de uma metodologia mista (quantitativa e qualitativa). A ideia é fazer primeiramente um levantamento sobre a dependência a partir “olhar” do sujeito e, na sequencia, fazer um cruzamento com as teorias sociológicas contemporâneas e dados reunidos a partir de estudos científicos que foram realizados em centros de dependência nos últimos anos.

Implicações teóricas e práticas: É importante ressaltar que esta discussão entende que há uma "arena social", no qual indivíduo e Internet estão juntos, mas com funções diferentes: um viciado e outro viciante. Este é um sistema complexo que está diretamente "ligado" na relação de sedução pelo desenvolvimento simbólico e psicológico de cada um: um lugar onde as trocas sociais mediadas pelos ecrãs são a solução para a construção de relacionamentos efêmeros, em que texto torna-se hipertexto e traduz as emoções de forma prática e objetiva.

________________________________________________________________________

De Onze para Doze: A transformação do adepto em ator

Esser Silva

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Estádio, media, controlo da excitação, artealização do adepto.

Resumo:

O espaço geográfico do futebol enquanto lugar de ocorrência de um fenómeno polarizador de grande atração social sofreu várias transformações ao longo do sec. XX, alterando-se a partir da presença e ação dos meios de comunicação, emergindo daí significativas socio-habilidades tendentes à contenção dos impulsos e ao aumento do autocontrolo emocional.

Tendo por base o adepto/espetador, propomo-nos explorar, através de configurações internas e externas não planeadas, o contributo dos meios de comunicação nas mutações processadas, desde a apreciação dos espetadores como massa uniforme, desindividualizada e irrelevante até à sua condição individualmente valorizada como parte ativa do jogo enquanto décimo segundo jogador. O trabalho sustenta-se em gravuras, fotografias, notícias, relatórios e reportagens televisivas.

Na esteira de Elias, Foucault, Mauss e Lipovetsky concebe-se um estudo compreensivo a partir de diversa literatura demonstradora do processo civilizacional nos estádios, evidenciando-se i) o papel da introdução da rádio no interior dos recintos como moderador e mediador dos sentidos, ii) as mudanças radicais associadas à transformação do espetáculo futebolístico em hiperespetáculo televisivo responsáveis pelo fim da divisória entre área de jogo e público assistente, ampliando-se o palco e iii) introduzindo-se, nas bancadas, os elementos tendentes ao controlo da excitação individual iv) executado através do poder da disciplina capaz de inverter a energia do corpo usando-a contra o seu dono, promovendo-se dessa forma a artealização do adepto.

O estádio passa a ser lugar paritário e a violência hooligan dá lugar à ética roligan. Técnicas do corpo fazem emergir fenómenos como a “ola mexicana”. A emoção evidencia-se nos gestos e expressões faciais e a alegria ou tristeza marcam-se em lágrimas. As câmaras passam a interessar-se pelas performances nas bancadas e o décimo segundo jogador revela-se um ator dominado pelo autocontrolo do seu papel.

________________________________________________________________________

De Onze para Doze: A transformação do adepto em ator

Sónia Sebastião

Ana Lemos

Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa

Palavras-chave: Eventos mediáticos; protestos cívicos; cobertura mediática; Brasil.

Resumo:

A relação do Brasil com a organização de megaeventos atingiu um pico depois dos XV Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. O ex. Presidente Lula da Silva enfatizou a construção de infraestruturas, com investimento privado, como vantagem significativa para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no país. Para além deste benefício, o poder político brasileiro apelou ao orgulho nacional e à projeção internacional que a organização destes megaeventos teriam para o país, uma vez que permitiriam mostrar ao mundo a capacidade organizativa do povo brasileiro, atrair turistas e receitas.

Apesar da confiança inicial, após confirmação do Brasil como comunidade anfitriã dos megaeventos referidos, começaram a surgir problemas. As exigências da FIFA, atrasos, corrupção, projetos cancelados (e. g. o comboio de alta velocidade), falta de planeamento e/ou planeamento deficiente, mortes e acidentes na construção das infraestruturas, e greves, motivaram violência urbana, protestos e manifestações. Estes foram relatados pelos órgãos de comunicação social e mostraram à comunidade internacional um Brasil revoltado com as desigualdades sociais, com a falta de investimento público em sectores fundamentais como a educação, a saúde e os transportes. Desta forma, ao mesmo tempo, os media noticiavam a organização dos megaeventos com discursos das autoridades públicas a sublinhar as vantagens dos mesmos e os movimentos cívicos de protesto, expondo um país dividido.

Por conseguinte, esta pesquisa tem como objectivo compreender como a cobertura mediática pode afectar o sucesso de megaeventos desportivos. É desenvolvida uma análise bibliográfica sobre a teoria dos eventos mediáticos considerando os contributos fundamentais de Boorstin (1961/1987) e Dayan & Katz (1994). Complementarmente é feita uma análise qualitativa de conteúdos noticiosos sobre os protestos e a organização dos megaeventos disponibilizados pela agência internacional Reuters, atendendo aos seus efeitos sobre a opinião pública (McCombs, Holbert, Kiousis & Wanta, 2011) e ao objectivo geral de perceber o destaque dado aos movimentos cívicos e aos interesses da população quando opostos aos da organização do megaevento.

Resultados preliminares evidenciam que as vozes divergentes presentes nas notícias motivam a reconceptualização dos eventos mediáticos atendendo à alteração da sua característica de solenidade, ao mesmo tempo, que incitam à problematização do modelo atual de organização de megaeventos face aos montantes financeiros envolvidos e à insuficiência de vantagens percebidas pela comunidade.

________________________________________________________________________

As mensagens da imprensa regional na defesa dos serviços públicos e a sua receção por parte dos consumidores/utentes

Hália Santos

Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, Instituto Politécnico de Tomar

Palavras-chave: Jornalismo de proximidade; causas dos media; participação cívica; serviço público.

Resumo:

Enquadramento:

Num momento em que as regiões do interior de Portugal estão a ser confrontadas com o encerramento de serviços essenciais no âmbito da saúde, educação, finanças, justiça e poder local regional, a comunicação social regional ajuda os seus consumidores, também utentes de serviços públicos, a compreender as mensagens veiculadas pelos detentores do/s poder/es relacionados com esses serviços.

Objetivos:

Verificar em que medida os jornais regionais do Médio Tejo assumem as causas das populações quando se trata de marcar uma posição contra o encerramento ou fusão de instituições públicas e aferir a forma como os consumidores de informação interpretam e assimilam essas mensagens, que serão determinantes para a sua vida, enquanto cidadãos. Através de uma análise ao destaque dado e ao tipo de discurso produzido sobre o assunto, pretende-se aferir o envolvimento das publicações na sensibilização dos cidadãos para problemas que os afetam. Por outro lado, pretende-se conhecer a opinião dos protagonistas dos protestos contra os encerramentos e da população em geral sobre o papel que desempenham os jornais regionais na defesa de interesses que são comuns a todos os cidadãos daquela região.

Metodologia:

1.            Analisar o discurso dos jornais na região do Médio Tejo em relação ao encerramento de serviços públicos e respetivos protestos.

2.            Entrevistar os protagonistas dos protestos para compreender a importância que atribuem à comunicação regional na divulgação dos respetivos protestos.

3.            Aplicação de inquéritos às populações para conhecer a forma como são informados sobre as intenções e concretizações do poder central no que diz respeito a encerramento de serviços públicos a nível local e regional.

Fundamentação:

Os jornais da área de influência da região do Médio Tejo acompanham com frequência as ações de protesto de autarcas e cidadãos, funcionando como fonte de pressão, mas também como fonte de informação a todos os cidadãos que correm o risco de ser privados de serviços públicos essenciais. Daí a importância de analisar o seu conteúdo e formas de receção.

________________________________________________________________________

Do signo ao sentido: a codificação ideológica da alienação através da retórica visual na capa das newsmagazines

Mariana Barroso

Paulo Barroso

Escola Superior de Educação de Viseu

Palavras-chave: formação da opinião; primeira página; newsmagazine; retórica visual.

Resumo:

As newsmagazines exploram os efeitos performativos das imagens, pelo que exercem um poder retórico visual e facilmente suscitam atenção e interesse. Mas também formam mitos ou (re)criam imaginários sociais A imagem causa impacto porque tem poder (representa sine qua non sempre alguma coisa). Os signos cumprem a função primária de representar algo, i.e. “estar em vez” de ou de “estar no lugar de”. Esta função de aliquid quo pro não é, todavia, sempre evidente e perceptível.

Compostas por elementos verbais e não-verbais, pelo dito (explícito) e pelo “não dito” (implícito), bem como por outros elementos de análise (texto, imagem, cores, formas, lettering, planos de imagem, etc.), as capas das newsmagazines são objetos simbólicos e objetos ideológicos. O conteúdo ideológico não é explicitamente legível, porque se encontra no implícito, está dito no “não dito”, tornando-se assim capaz de construir com eficácia e subtileza uma representação no leitor. A exploração do poder das imagens nas capas de newsmagazines deve-se à tendência em usar apenas uma imagem e um tema, obedecendo à lógica ou estratégia sintética de motivação e apelo direto à compra. As capas são fabricadas como produto final a consumir pelos olhos (i)letrados dos leitores. São um factor determinante na venda da newsmagazine, como a montra para uma loja.

Através da análise de casos (e.g. Time, Newsweek, The Economist, Der Spiegel, L’Express, Visão, Sábado, Revista Expresso), os objectivos desta proposta de comunicação são: a) reconhecer a passagem do mero signo ao sentido (ideológico) que aliena o social e fabrica pensamento colectivo); b) relevar o poder da imagem como retórica visual não-verbal; c) interpretar as capas de newsmagazines como dispositivos de codificação ideológica e estratégias de produção de sentidos.

MESA 8 – Usos e práticas mediáticas

Moderador: Maria Emília Brederode

Sala: Vermelha (Microsoft)

Sexta-feira, 17 de abril, 16h15-17h45

Jovens, novos media e tecnologia: resultados do estudo "Direitos Digitais- Uma password para o futuro”

Célia Quintas

Paula Lopes

Inês Amaral

Bruno Reis

Universidade Autónoma de Lisboa

Palavras-chave: Literacia digital; direitos digitais; novos media; práticas mediáticas.

Resumo:

Nas sociedades globais, a tecnologia assume um lugar central nas dinâmicas sociais, influenciando profundamente a vida quotidiana e gerando condições para que os indivíduos se tornem mais participativos e mais “cidadãos digitais” (Mossberger et al., 2008). O conceito de literacia digital é, neste caso, de uma centralidade evidente.

Nesta comunicação, revelam-se os resultados globais do projeto de investigação “Direitos digitais: Uma password para o futuro”, desenvolvido por um grupo de investigadores da UAL - Universidade Autónoma de Lisboa, em parceria com a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

Para a realização deste estudo adotou-se uma estratégia metodológica de tipo quantitativo-extensivo, com recurso ao inquérito por questionário, aplicado a uma amostra de cerca de 1.500 alunos a frequentar o Ensino Básico (3º ciclo), Secundário e Profissional, em estabelecimentos de ensino nas 18 capitais de distrito de Portugal Continental. A recolha de informação decorreu entre março e novembro de 2014.

Para o tratamento de dados procedeu-se à análise estatística descritiva e inferencial, identificando tendências globais no que respeita a práticas e a consumos digitais, bem como a evolução destas tendências quando cruzadas com indicadores sociográficos (como o sexo, a idade, a escolaridade ou o distrito de residência), revelando-se simetrias e assimetrias. Que atitudes, oportunidades, riscos e problemas emergem a partir de novas práticas no mundo digital?

________________________________________________________________________

Aprendizagem nas redes sociais digitais: perceções de 150 professores e 549 dos seus alunos em Portugal

Vítor Tomé

Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve

Palavras-chave: Redes sociais digitais; usos de redes sociais; redes sociais e aprendizagem; jovens (9-16 anos); encarregados de educação e professores.

Resumo:

As redes sociais digitais alteram as relações entre professores e alunos para além do espaço e do tempo da escola, afectando os papéis representados por cada um, as suas percepções e crenças. Essas redes podem estar na base de uma alteração da estrutura tradicional da escola em termos pedagógicos e também sociais, mas primeiro é necessário perceber as percepções de professores, alunos e também dos encarregados de educação desses alunos, relativamente ao papel que as redes sociais podem ter na aprendizagem. Só assim será possível contribuir para a definição de políticas educativas que integrem, ou não, as redes sociais digitais na estratégia pedagógica e social das escolas. Este artigo centra-se nas percepções de 150 professores, de 549 dos seus alunos e de 267 encarregados de educação desses alunos acerca da aprendizagem dos alunos nas redes sociais digitais. Caracteriza os grupos quanto: i) ao uso de redes sociais digitais e ii) às perceções relativamente à aprendizagem em ambientes formais, informais e não-formais; iii) às relações que estabelecem entre si através das redes sociais digitais. Os dados foram recolhidos, primeiro através de inquérito por questionário e, depois, complementados com entrevistas Focus Group (a alunos) e entrevistas semiestruturadas a professores e encarregados de educação. Os resultados mostram que são os professores os que mais acreditam no potencial pedagógico das redes, ainda que poucos as usem com esse objectivo. Mostram ainda que as relações entre os grupos são pobres nas redes sociais digitais apesar de mais de metade dos alunos terem encarregados de educação entre os seus contactos nas redes e de mais de 40% terem professores seus entre esses contactos.

________________________________________________________________________

Práticas e usos dos media digitais pelos jovens

Odete Girão

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: media digitais; jovens; competências e divisão digital.

Resumo:

Os meios digitais e o fluxo constante de informação alteraram a forma de comunicar, de aceder e processar informação exigindo novas competências que permitam ao cidadão agir de forma independente, critica e culta. Neste sentido, existe a necessidade de desenvolver novas competências cognitivas para poder desvendar esse conhecimento, um novo tipo de literacia que permita ao cidadão ter acesso, compreender e criar conteúdo utilizando os meios digitais.

A presença constante dos meios digitais na vida dos jovens e as suas implicações tem vindo a constituir-se como um forte desafio e objeto de debate para os investigadores desta área, tendo sido realizadas um grande numero de investigações para compreender de que forma os media digitais são utilizados pelos jovens.

A revisão da literatura revela-nos que nem todos os jovens estão a participar de forma a obter experiencias enriquecedoras do ponto de vista da aprendizagem ou que não se sentem motivados ou possuem as competências para utilizar os meios digitais de forma estratégica em diversos contextos e que o fosso digital pode estar escondido pelo elevado número de acesso e o aparente Know-How na sua utilização.

Através de uma revisão da literatura e de estudos empíricos efetuados em diversos países, pretende-se dar a conhecer e debater o estado da arte. Também apresentar uma proposta metodológica de uma investigação de doutoramento, em curso, que pretende contribuir para compreender como os media digitais são utilizados pelos jovens. Uma reflexão sobre o fator da divisão digital ao nível do acesso, dos contextos e das competências, tentando clarificar as eventuais diferenças nos valores, usos e desenvolvimento de competências em media digitais.

________________________________________________________________________

A mediação do consumo midiático no universo escolar: estudo de caso do Projeto Gente, da SME/RJ

Wagner Bezerra,

Alexandre Farbiarz

Universidade Federal Fluminense

 

Palavras-chave: educomunicação; midia-educação; literacia mediática; midiatização; mediação; consumo midiático.

Resumo:

O artigo, exceto revisado de um dos capítulos que estão sendo construídos para a dissertação de mestrado do proponente, a ser defendida em maio do corrente ano, pretende discutir aspectos ontológicos das interconexões entre os campos da comunicação e da educação a partir de referencial teórico construído com base na produção de autores que trabalham os estudos culturais na América Latina (Canclini, Orozco e Martìn Barbero) em diálogo com outros que atuam nas áreas da mídia-educação (Belloni, Gomes e Rivoltella) e educomunicação (Soares e Citelli). De acordo com Belloni, quando afirma que “A escola é, agora, apenas mais uma entre as muitas agências especializadas na produção e na disseminação da cultura” (BELLONI, 1998, p. 7), a investigação em curso “A mediação do consumo midiático no universo escolar: um estudo de caso do Projeto Gente”, aborda o consumo de mídia e a adaptabilidade de educandos e educadores  (7º ao 9º ano do ensino fundamental) frente à reconfiguração tecnológica que ocorre com a presença das TIC utilizadas enquanto ferramenta pedagógica no ambiente de ensino-aprendizagem. Como refere Martìn-Barbero “[...] os novos educadores devem ser capazes de compreender que há uma nova cultura juvenil irreversivelmente em formação, vendo nelas mais que ameaças, mas novas e interessantes formas de fazer uma nova aula e uma nova escola” (MARTÌN-BARBERO, 1996, p. 52). A metodologia utilizada é a pesquisa qualitativa; a estratégia, observação participativa e os dados foram aferidos por meio de pesquisa exploratória e entrevistas em profundidade. A análise, utiliza a DSC – teoria do Discurso do Sujeito Coletivo, por concordar que "Se o discurso individual revela não somente a fala individual, mas o que há de coletivo. A rigor, os discursos individuais nada mais são do que discursos coletivos enunciados por apenas uma pessoa" (Fischer e Gondim, 2009).

________________________________________________________________________

Convergência entre a literacia informacional e a literacia mediática

Monica  Gallotti,

Jacqueline Souza,

Thais Santos

Universidade do Porto

Palavras-chave: Ciência da Informação e da Comunicação; Literacia Informacional; Literacia Mediática.

Resumo:

O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), sobretudo da Internet, acarretou no surgimento de novas plataformas de interação e comunicação que reformularam o atual cenário infocomunicacional. Essa nova realidade, por sua vez, demanda novas habilidades em relação a produção, transferência, acesso e uso da informação em variados contextos impulsionando a necessidade de literacias tais como a informacional e a mediática. Destarte, o objetivo geral do artigo é o de realizar uma revisão conceitual de literatura sobre ambos os tipos de literacias de modo a perceber como as mesmas convergem, complementam-se e quais são os seus contornos teóricos e práticos. Em termos metodológicos, a priori, remetemo-nos a revisão de literatura nas áreas das Ciências da Informação e da Comunicação por meio de fontes de informação convencionais e eletrônicas que versam sobre a literacia informacional e a literacia mediática. A posteriori, empregamos a crítica analítica para tergiversar acerca dos elos teóricos e práticos entre as teorias em destaque com base em experiências desenvolvidas em unidades de informação. Os resultados da pesquisa desvelaram que a literacia informacional é uma estratégia de acesso e uso com possibilidades de gerar apropriação da informação e geração do conhecimento no contexto dos novos paradigmas da sociedade atual, tornando-se uma habilidade necessária e basilar para a concretização da literacia mediática. Por fim, aponta-se que as unidades de informação -  tais como bibliotecas e arquivos - são lócus privilegiados para o fomento e capacitação de utilizadores em prol da literacia informacional e consequentemente da literacia mediática.

________________________________________________________________________

COMUNICAÇÕES LIVRES 3

SÁBADO, 18 DE ABRIL, 09h00-10h30

MESA 9 – Educar para a leitura crítica do mundo

Moderador: Lídia Marôpo

Sala: Azul (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 09h00-10h30

Literacia Crítica Mediática enquanto educação para o mundo

Rui Pereira

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Literacia Mediática; educação; crítica; radicalidade.

 

Resumo:

Tomando como ponto de partida a ideia de necessidade de uma “iconoclastia geral” (PEREIRA, 2011) na formulação da questão de uma “literacia crítica mediática”, o presente artigo discute aspectos de filiação dessa atitude numa perspectiva crítica mais ampla e radical, refletindo, todavia, a partir de Hans-Georg GADAMER (sobre “o conceito de preconceito” – Verdade e Método), Peter SLOTERDIJK (fronteiras entre “crítica” e “cinismo” – Crítica da Razão Cínica) e Richard RORTY (educação e “ironia” – Contingência, Ironia e Solidariedade), a questão dos eventuais limites para uma tal perspectivação. O exercício reflexivo central organiza-se em torno dos trabalhos de Neil POSTMAN ( “narrativas correntes” e “narrativas alternativas” em educação – O fim da educação) e do pensamento do filósofo e filólogo espanhol GARCÍA CALVO (em torno do binómio “crença”/”desconfiança”, actualizando a tradição das chamadas filosofias da suspeita —Marx, Nietzsche e Freud— oriundas do século XIX).

________________________________________________________________________

'Escreve-nos': uma análise das cartas da Visão Júnior

Juliana Doretto

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Palavras-chave: jornalismo; infância; audiência; participação do leitor.

 

Resumo:

Este trabalho é derivado de pesquisa de doutoramento (bolsa Capes 0860/13-1), que trata da participação do leitorado no jornalismo infantil no Brasil e em Portugal. Nesse sentido, discutimos o que Buckingham (2009) entende como direito à participação nos media: é preciso “ver as crianças a conseguirem falar mais diretamente, coletivamente e aos produtores e legisladores”. Nesta proposta, analisamos cartas enviadas à revista mensal “Visão Júnior”, única publicação jornalística destinada às crianças em Portugal, para leitores de 6 a 14 anos.

Torres da Silva (2007), que estudou as cartas do “Público”, ressalta que o espaço democrático que poderia ser proporcionado pela seção de missivas do leitorado esbarra em obstáculos como a seleção do que é publicado (que privilegia boas redações e temas da agenda midiática) e a escassez de espaço.

Em nossa pesquisa, analisamos as cartas divulgadas no primeiro semestre de 2014 pela “Visão Júnior”. Foram 42 correspondências publicadas, e em apenas quatro delas não houve algum tipo de resposta da revista, o que aponta certo movimento dialógico, maior do que mostrado por Torres no jornalismo para adultos. Isso é confirmado pela análise de algumas dessas respostas. Destacamos aqui oito positivas (aceitando e implementando sugestões), seis solicitando mais informações para as crianças (a fim de concretizar as pautas) e duas dizendo que não é possível atender a solicitação.

Observamos ainda que as sugestões de pauta são as que predominam (69%), o que indica uma audiência infantil ativa. Mas apenas três mensagens fazem críticas ou apontam erros, o que pode denotar pouca confiança das crianças de que a revista vá confessar deslizes. Nota-se também que 72% das mensagens foram enviadas por meninas: o que sugere, segundo Wahl-Jorgensen (2002), que elas remetem cartas mais elaboradas, de acordo com padrões da redação.

________________________________________________________________________

 

“Journal Junior”: uma análise do telejornal infantil francês do canal ARTE

Mariana Gomes

Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3

Palavras-chave: infância ; semiologia ; televisão ; cultura ; qualidade.

 

Resumo:

Decerto, algumas imagens podem perturbar as crianças, sobretudo aquelas que ilustram imagens chocantes da realidade, encontradas nos telejornais, por exemplo. É também através da televisão que uma criança pode entrar em contato com outras sociedades e culturas, podendo estabelecer uma ideia de mundo e como se sociabilizar através do mesmo.

Através deste mote, um telejornal infantil foi criado em 2014 pelo canal franco-alemão ARTE. Este telejornal é direcionado ao público infantil de 8 a 13 anos e tem duração de quinze minutos, sendo apresentado nas manhãs dominicais na França. Através do Journal Junior, um quadro com o perfil de uma criança em alguma parte do mundo e informações da atualidade são discutidas e apresentadas às crianças de forma didática; temas estes como a guerra ou o combate ao vírus Ebola.

Nesta presente comunicação, pretendo analisar em um primeiro momento o conceito de “promessa” (Jost, 2004) realizado por este programa infantil, que estabelece uma ligação entre os dois comunicantes, bem como a linguagem adotada pelos jornalistas e pela produção deste programa. As imagens presentes neste programa também são meu objeto de estudo nesta pesquisa, fundamentado através da regra 3-6-9-12 de Tisseron (2014) sobre o tipo de imagens às quais crianças se veem confrontadas através da multiplicidade de telas.

Em um segundo momento, pretendo analisar igualmente o conceito de programa cultural e de televisão educativa, que muitas vezes se traduz por uma hiperpedagogia nos programas infantis. Para tal, guiarei minha análise à luz de Camille Brachet (2010), Duek (2014) e Machado (2009).

________________________________________________________________________

Produção de notícias para crianças: a realidade portuguesa e internacional

Sara Pereira

Joana Fillol

Patrícia Silveira

Universidade do Minho, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade

Palavras-chave: atualidade; informação; notícias; crianças; jovens

 

Resumo:

As crianças têm ou não interesse pelas notícias sobre a atualidade? Como conhecem o mundo em que vivem? E que representações desse mundo constroem? Que papel têm os media na informação sobre o que se passa no mundo? Que serviços ou programas noticiosos existem, a nível nacional e internacional, concebidos e produzidos especificamente para o público mais jovem? Estas são algumas das questões que esta comunicação pretende debater, partindo do levantamento e análise de espaços, serviços e programas de notícias sobre a atualidade dirigidos aos mais novos. Seguindo um conjunto de critérios de pesquisa aplicados de maneira distinta ao contexto nacional e internacional, a recolha efetuada revelou um cenário bastante diferente ao nível destes dois contextos. No caso português, a pesquisa teve por base o conhecimento profissional e académico das autoras, bem como estudos anteriores de autores portugueses e recaiu sobre os meios impresso, televisivo e online. Este levantamento revelou um panorama nacional bastante deficitário no que diz respeito à provisão de serviços de informação destinados às crianças. Relativamente ao caso internacional, foi realizada uma pesquisa através do Google, utilizando as palavras-chave “crianças” e “notícias” ou “atualidade” em diferentes línguas, tendo sido considerados apenas sítios em que é dada atenção a notícias de atualidade. Este levantamento evidenciou um cenário bastante diferente do nacional, tendo-se identificado vários espaços online que têm como objeto de atenção e de interesse o tratamento e a apresentação de assuntos da atualidade para o público mais jovem.

A análise destes espaços, bem como sua importância, serão objeto de análise nesta apresentação, procurando-se também dar conta de um espaço noticioso em construção, o Jornalíssimo. Trata-se de um site de informação fundado para colmatar o que se afigura uma lacuna no universo do jornalismo português onde, ao contrário do que aconteceu no passado (e de que projetos como o Público Júnior ou o DN Jovem são exemplos), faltam espaços de informação destinados a um público juvenil. Pensado para jovens a partir dos doze anos, quando as capacidades de leitura e escrita estão já consolidadas, o projeto (on-line desde janeiro) publica artigos em várias categorias. Ciência, Ambiente, Animais, Tecnologia e Artes são algumas delas. Na secção Atualidade pretende-se desconstruir algumas notícias que marcam a agenda mediática a nível nacional e internacional, explicando, por exemplo, o que é o Estado Islâmico ou por que razão está a Ucrânia em guerra.

________________________________________________________________________

Jornal Outra Presença – há 25 anos a formar, informar e educar

Luísa Diz Lopes

Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, Bragança

Palavras-chave: jornal escolar, Clube de Jornalismo, educação para os media

 

Resumo:

O jornal Outra Presença, propriedade do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, em Bragança, nasceu há 25 anos, dando continuidade ao projeto jornalístico que existia na escola desde 1959, com o nome Presença. Nos últimos anos, viu a sua qualidade distinguida em diversos concursos de jornais escolares constituindo-se como uma referência no âmbito de projetos jornalísticos escolares, o que tem sido um forte incentivo para a sua continuidade e evolução, pelo ânimo que o reconhecimento traz, mas também pela verba que permitiu a aquisição de materiais fundamentais ao projeto: máquinas de captação de imagem e som, programas de edição, por exemplo.

Foi sofrendo alterações a nível do grafismo, paginação, formato, estrutura e suporte de divulgação. Apresentou-se online, numa página dinâmica, em 2007 e, atualmente, mantém as duas edições: digital e impressa. Também a sua dinâmica interna mudou com a constituição de um Clube de Jornalismo, em 2002, que pela primeira vez integrou alunos envolvendo-os em todo o processo de publicação de um jornal escolar, o que se mantém até hoje.

Considerou-se que só assim os objetivos a que desde o início se propunha poderiam ser atingidos, como o desenvolvimento integral do aluno, considerando neste propósito a expressão oral e escrita, o gosto pela informação, a atenção ao outro e ao mundo e o espírito crítico, enquanto emissor e recetor de informação, familiarizando-o, simultaneamente, com todo o trabalho que envolve o processo da produção jornalística, o que implica o domínio das novas tecnologias da informação e comunicação. Além disso, o projeto visa também a divulgação de atividades, promovendo a comunicação entre todos os membros da comunidade educativa. Deste modo, pode contribuir para a melhoria da qualidade das aprendizagens e das relações entre a escola e o meio, recorrendo a novas fontes de saber.

O projeto é, então, da responsabilidade de um Clube de Jornalismo, constituído por alunos e professores, de número variável de ano para ano, que nas reuniões semanais definem o alinhamento de cada número, programam as peças jornalísticas a desenvolver, selecionam imagens, titulam textos, paginam e efetuam a revisão. A realização das atividades de reportagem, entrevista e captação de imagens são realizadas noutro momento pelos alunos disponíveis, o que se tem tornado difícil, dada a pouca disponibilidade que os alunos vêm gradualmente manifestando. Estes alunos tornam-se mais proficientes em áreas diversas ao mesmo tempo que ajudam a escrever a história da sua escola.

A edição digital (http://www.outrapresenca.com), recentemente reformulada, e, por isso, ainda em processo de reconstituição do seu arquivo, é atualizada semanalmente, sendo, depois, os trabalhos preparados para integrarem a edição impressa, cuja periodicidade tem oscilado entre 1 e 3 números anuais.

Por isso, na escola atual, aberta ao mundo, mas, simultaneamente, crítica relativamente a si e a ele, interventiva e capaz de responder aos desafios que a sociedade contemporânea coloca, são essenciais projetos que estimulam a observação, autonomia e a o desenvolvimento da cidadania.

 

MESA 10 – Media, participação e identidades

Moderador: Pedro Jorge Braumann

Sala: Amarela (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 09h00-10h30

Hermenêutica sobre as manifestações públicas na Internet

Luiz Farias,

Heitor Rezende,

Benedita Delbono

Universidade de São Paulo, Universidade Anhembi Morumbi

Palavras-chave: Astroturfing; internet e redes sociais.

 

Resumo:

Na contemporaneidade a sociedade utiliza cada vez mais a internet e as redes sociais digitais como palco para a realização de consulta e divulgação de informações sobre os setores políticos e corporativos, potencializando a existência de verdadeiros simulacros. Nesse cenário, pessoas que se atêm ao universo digital possuem uma propensão maior a constituírem suas opiniões munidas de julgamentos vindos de redes sociais estruturadas por internautas, gerando um ciclo de reprodução de informações, estas endossadas por esses usuários, levando à “ideia de verdade”. Por outro lado, não é possível crer em todas as manifestações que circulam na internet sobre os diversos setores que compõem a sociedade. Com o objetivo de explorar esse tema optou-se pela adoção como objeto de estudo o tema Astroturfing, terminologia que contempla técnicas de manipulação da opinião pública na internet, por meio da inserção de informações direcionadas que podem enaltecer ou depreciar pessoas, empresas e partidos políticos, respectivamente, em sua reputação; em face de seus produtos ou serviços e imagem; e, em sua ideologia e credibilidade à campanha. Para a realização do estudo, foi utilizada a metodologia estudo de casos múltiplos, tendo sido analisadas exposições relativas a empresas de tecnologia como Samsung e Facebook, as quais geraram repercussão internacional e, a Nokia com repercussão no Brasil. Além disso, também se estudou a campanha presidencial do norte-americano Barack Obama, cuja ação foi forte influenciadora de campanhas de políticos brasileiros, assim como de outros países. Como suporte teórico recorreu-se a obras notadamente suportadas na internet por conta da recência do tema, autores que trafegam no âmbito da opinião pública, da liberdade de expressão baseada em princípios éticos, além de aspectos jurídicos alinhadas ao estudo. A análise foi baseada na interpretação de dados secundários e de sua repercussão na mídia e no reflexo junto à opinião pública, podendo gerar mobilização e comportamento. O texto interconecta-se ao 3º Congresso Literacia, Media e Cidadania sob o tema Análise e usos dos media: internet, jogos, vídeo, cinema, telemóveis, imprensa, rádio, televisão, publicidade, música.

________________________________________________________________________

O primado do “homem-meio”: a revolução coperniciana do self-media

Paulo Barroso

Escola Superior de Educação de Viseu

Palavras-chave: cibercultura; cidadão-jornalista; comunicação; modernidade; self-media.

 

Resumo:

Face à mudança de modelo comunicacional e às valências dos novos media, importa indagar: a) O poder da informação aumentou ou diminuiu? b) Há uma maior ou menor responsabilização do papel do jornalista? c) Qualquer cidadão pode fazer de jornalista recorrendo aos self-media? A ascensão do sujeito-objecto ou homem-meio apaga o receptor e inverte os papéis do jornalista e do público (figurativamente comparável a uma revolução coperniciana: o primado do cidadão-jornalista ou “homem-meio”). Em conformidade com esta problemática, os objectivos desta proposta são 1) analisar criticamente o atual campo dos media, designadamente as relações entre os agentes (emissor e receptor); 2) compreender o processo de mudança enquanto forma de identificar as características da sociedade da informação e as suas implicações na mediação com um mundo global, complexo e em mudança e que, por isso, exige novas formas de literacia e cidadania. Esta proposta tem um cariz eminentemente teórico, porque se funde nas perspectivas mais conhecidas e acuradas sobre a comunicação de massas (e.g. McLuhan, McQuail, Sartori ou Ramonet). Por conseguinte, não existe objecto empírico de análise nem caso de estudo, mas apenas um objecto de estudo reflexivo: os self-media. Considerando este âmbito teórico, bem como o objecto de estudo e os objectivos acima mencionados, a metodologia prima pela análise crítica: parte-se dos autores e estudos de referência para se interpretar o modo como os self media (extensões dos avanços tecnológicos e globais na comunicação e consequência da “Era de Emerec” idealizada por Cloutier na década de 1970) representam, por um lado, a forma de participação moderna individualizada (e não profissionalizada nem regulamentada) de novos atores nos processos de comunicação social (no espaço público/mediático e igualmente modificado), por outro lado, a forma de reconhecimento quer da própria construção mediática quer da construção de sentido da atualidade virtualizada.

________________________________________________________________________

Marco Civil no Brasil - A internet tem dono?

Diego Galego

Universidade de Aveiro

Palavras-chave: Marco civil no Brasil; Internet; privacidade e segurança na web.

 

Resumo:

O presente trabalho estuda a nova Lei brasileira nº12.965/14, para regulamentação do uso da Internet. Para a realização da pesquisa, utilizar-se-á o método hipotético-dedutivo, partindo de uma premissa universal para uma dedução lógica. O estudo baseia-se exclusivamente na pesquisa bibliográfica acerca do tema, levando em consideração a carta do criador da WWW, Tim Berners-Lee, em aprovação e incentivo à Lei. O trabalho divide-se em 5 itens principais em tópicos: 1º A Internet e sua origem; 2º A evolução da Internet; 3º Como o mundo vê a Internet – a media nos cinco continentes; 4º As leis de regulamentação da Internet; 5º O Marco Civil - funções e consequências.

A nova Lei aprovada em 25 de Março de 2014, sobre o uso da Internet, que irá assegurar os direitos e deveres dos utilizadores em relação a sua segurança, privacidade e neutralidade na Internet, carrega uma questão pertinente ao analisar os pontos de convergências que a globalização têm criado na atualidade: A internet tem dono? As informações nela contida são manipuladas e manipuláveis por quem? Como aplicar uma lei sobre a ética digital?

Sob o olhar apurado da liberdade que a internet tem manifestado para as pessoas, quebrando barreiras, derrubando fronteiras culturais, sociais, económicas e políticas, este trabalho quer de modo crítico tornar claro e evidente a figura do utilizador da maior rede de comunicação de tempo real internacional.

Ao ponderar acerca da temática abordar-se-á o reflexo histórico da internet, sua função para a inovação sociocultural. As pessoas estão cada vez mais interconectadas, o que faz da Internet uma rede extraordinária, uma ferramenta de extensão da dignidade do ser humano. As leis de regulamentação têm está missão, assegurar a dignidade da pessoa humana ou só estamos mais uma vez enxergando uma máscara manipuladora e dominadora?

________________________________________________________________________

Porto, literacia local e identidade: a contribuição do Porto Canal e Porto24

Cristina Rebelo

Cristiane Lindemann

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho; Universidade de Santa Cruz do Sul

Palavras-chave: comunicação local, literacia, identidade.

 

Resumo:

A comunidade ao mesmo tempo que é produtora de conteúdos, é altamente influenciada pelos média circundantes, gerando padrões de permutação e proximidade identitária. A esfera dos média locais é favorável para a leitura dos elementos distintivos do espaço em que se inserem, materializando a propagação da envolvente simbólica do local e a criação de um quadro de referência que amplifica a visibilidade e abertura ao exterior, não só como espaço material mas metafórico. Este artigo refere-se aos os conteúdos informativos de dois canais de comunicação locais, pretendendo avaliar as suas diferenças e complementaridades face à leitura da cidade do Porto: o Porto Canal/site e o jornal digital Porto24.

O Porto Canal através da sua programação, pretende dar resposta a alguns imperativos de interesse local e também de projeção de particularismos e singularidades da região. Com uma grelha estabelecida visando uma proximidade face aos contextos locais, o Porto Canal tem ainda o suporte de um site que procura cobrir a modalidade televisiva tradicional.

O jornal digital Porto24 é de propriedade da Porto24 – Comunicação e Multimédia Lda, uma rede de informação local criada em 2010 e dedicada à informação do Grande Porto. Constituída por um conjunto de sites temáticos, a rede possui, ainda, uma revista de arte, cultura e lazer (Praça) e um guia de locais (Locais) e tem como característica uma forte interação com o público. Em termos metodológicos, optou-se por uma análise de conteúdo onde se desconstrói as categorias e subcategorias que servem de base à análise da grelha de programação sendo que, cronologicamente, a análise recai sobre uma semana de programação. As conclusões pretenderão refletir criticamente sobre a pertinência desses conteúdos em termos de literacia e identidade local.

________________________________________________________________________

 

O papel dos eventos mediáticos no processo de construção de valores de cidadania entre os jovens: estudo do caso dos Jogos Olímpicos Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016

Sandra Tavares

Departamento da Cultura, Media e Indústrias Criativas (CMCI), King`s College

Palavras-chave: Jovens; cidadania; eventos mediáticos; Olímpiadas.

Resumo:

O trabalho que aqui se propõe pretende abordar a questão do legado de um dos eventos mediáticos mais conhecidos a nível mundial – os Jogos Olímpicos - e o papel do mesmo na construção de valores de cidadania entre os jovens.

Nesta apresentação pretende-se expor e discutir alguns dos dados e conclusões que constituem parte de um estudo sobre as memórias e expectativas dos jovens de Londres e do Rio de Janeiro sobre os Jogos Olímpicos de 2012, complementando com a análise do papel e uso dos mais variados media na construção dessas mesmas memórias.

Como evento desportivo, os Jogos Olímpicos são, sem dúvida, um dos acontecimentos mais mediáticos, principalmente através do contributo da televisão. Porém, nas últimas décadas, o Olimpismo, filosofia proclamada por Pierre de Coubertin, chama a atenção para valores de cidadania, valores estes que sugerem uma filosofia de vida para além do desporto, abrangendo dimensões como a cultura e a educação.

Partindo de uma metodologia de natureza qualitativa que teve por base exercícios de mapa mental, entrevistas individuais e grupos focais realizados com um grupo de jovens entre os 14 e os 18 anos, provenientes de escolas secundárias e clubes juvenis da área de Londres, pretende-se com esta comunicação analisar a atitude crítica deste grupo de jovens perante eventos mediáticos como os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres e as suas expetativas para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Pretende-se igualmente debater os conceitos relacionados com identidade cultural e cidadania numa era em que transitamos incessantemente entre o local e o global.

Os dados extrapolados revelam a importância dos media na construção das memórias destes jovens, identidades e valores associados à cultura em que se inserem, tais como o sentido de nacionalidade, cidadania cultural entre muitos outros aspetos relacionados com a participação cívica.

 

MESA 11 – Cruzando literacias: publicidade e saúde

Moderador: Conceição Costa

Sala: Verde (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 09h00-10h30

Media Smart 2.0

José Lagarto

Universidade Católica

Palavras-chave: Literacia; publicidade; Media Smart; Universidade Católica.

 

Resumo:

1. Introdução

A presença do programa Media Smart é uma realidade incontornável em grande parte das escolas portuguesas do primeiro e segundo ciclos. A necessidade de educar os jovens para a apropriação das mensagens mediática justificam claramente a sua existência e desenvolvimento.

A APAN há alguns anos que tem vindo a desenvolver atividades formativas junto dos docentes do ensino básico e secundário, mas sempre suportadas em modelos de ensino/formação presencial.

O público potencial do Media Smart, afinal uma grande parte dos professores dos ensino básico e também secundário, está geograficamente muito disperso pelo país.

Dado que os recursos em formadores da instituição APAN são reduzidos, foi equacionada a ideia de transformar a formação presencial em formação a distância.

Considerando que as duas das premissas clássicas do uso da formação à distância estavam contempladas no nosso contexto - dispersão geográfica do público e necessidade de formação académica adequada para implementação do programa - avançámos com o desenho e produção da oferta formativa sob o nome de Media Smart web 2.0.

2. Modelo pedagógico

Tendo em conta o contexto do público potencial do programa Media Smart decidiu-se pela produção de matérias pedagógicos tendo como base os materiais físicos já existentes, bem como vídeos e outro tipo de suportes.

O modelo inicialmente adotado, um regime de E-learning para ensino a distância, implicou a produção de materiais que suportassem uma perspetiva construtivista de aprendizagem.

O desenvolvimento dos conteúdos solicitam o formando, em cada ecrã, através de esquemas de interatividade, para desempenho de tarefas variadas.

Estas tarefas têm como objetivo construir uma aprendizagem baseada na experiência pessoal de cada um. Complementarmente, existem espaços de interatividade que levam o formando para zonas de simulação, através da análise e proposições de atividades que podem ser replicadas na realidade das suas aulas.

Os modelos de EaD (Ensino à Distância) permitem difundir a formação em duas formas distintas.

Uma delas (modelo de grupo) tende a aproveitar o potencial da colaboração interpares, privilegiando tarefas comuns a par de tarefas de características individuais. Alia-se a aprendizagem colaborativa com abordagens construtivistas tendo em conta o caracter das atividades que são propostas para além daquelas que estão contidas nos manuais.

O outro modelo (modelo individual) tende a centrar a formação em absoluto nos interesses, necessidades e possibilidades dos formandos, facultando-lhes aprendizagens autónomas, com a utilização exclusiva do manual interativo. Neste caso não há interação com pares nem interação deliberada por parte da instituição formadora. Trata-se um regime que permite ao formando iniciar o seu curso em qualquer momento e solicitar a avaliação final quando entender conveniente.

No primeiro caso assume-se a existência de uma tutoria ativa, onde este ator desenvolve um trabalho de dinamização, suporte e avaliador das aprendizagens.

No segundo caso o tutor está presente apenas para responder às questões que os formandos lhe coloquem, prevendo-se que ao longo do tempo se construa uma base de dados de "questões frequentes", sendo estas respondidas através de forma tutorial.

3. Perspetivas de desenvolvimento

Tendo em conta que todos os materiais físicos inicialmente existentes têm por base anúncios já não tão atualizados como seria desejável, e porque a publicidade muda diariamente, pretendemos com alguma regularidade fazer atualizações dos exemplos práticos utilizados por exemplos mais atuais.

4. Conclusões

O Media Smart enquanto Programa de Literacia para a Publicidade nos diferentes meios é sem dúvida um Programa único para todos os Professores que pretendam alagar e aprofundar os seus conhecimentos no âmbito desta grande realidade presente no nosso dia a dia que é a Publicidade. Realidade que tanta influencia tem nas nossas crianças e jovens, nos seus comportamentos, atitudes, valores e estilos de vida.

________________________________________________________________________

Educação para a publicidade e (auto-)regulação: a comunicação comercial de produtos alimentares para crianças em Portugal

Ana Jorge

CIMJ / CICS.NOVA / FCSH, Universidade Nova de Lisboa

Palavras-chave: Literacia; publicidade; Media Smart; Universidade Católica.

 

Resumo:

A crescente incidência de obesidade entre a população, incluindo a infanto-juvenil, em países desenvolvidos é frequentemente enquadrada como um problema social. Embora tenha causas multifactoriais, os media, nomeadamente através da publicidade e do entretenimento, são frequentemente apontados como responsáveis principais. Por outro lado, apesar das diretrizes comunitárias para homogeneizar a educação para os media, os diferentes países europeus encontram-se em níveis diferenciados de prossecução desses objectivos (Costa, Jorge e Pereira, 2014) e a regulação em termos de comunicação comercial para crianças varia significativamente entre os países europeus.

Esta comunicação analisa as iniciativas dedicadas a reforçar a literacia para a publicidade e o consumo entre crianças e jovens, nomeadamente os programas MediaSmart e DECO Jovem, sublinhando a necessidade da avaliação da sua eficácia, nomeadamente ao nível do reforço da capacidade crítica.

Veremos estes esforços no quadro português da comunicação comercial para crianças e adolescentes, sobretudo na área alimentar, na tensão entre a esfera da regulação e auto-regulação. Em 2010, 26 empresas dos sectores de alimentos e bebidas acordaram em não fazer publicidade para crianças com menos de 12 anos; compromisso reforçado em 2011 pelo Instituto de Auto-Disciplina Publicitária. A monitorização desse compromisso, em 2011 e 2012, foi utilizada no discurso público para contrariar propostas de alteração da legislação sobre a publicidade, dizendo que a “auto-regulação é a solução”.

Esta comunicação discute, assim, a educação para a publicidade e os media nas relações de poder entre produtores, consumidores (e suas famílias) e a esfera da regulação.

________________________________________________________________________

O exercício da cidadania na literacia das novas narrativas publicitárias

Rogério Covaleski

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Recife, Brasil; Universitat Pompeu Fabra (UPF) – Barcelona, Espanha

 

Palavras-chave: literacia mediática; narrativas publicitárias; cidadania; hibridização.

 

Resumo:

A presente comunicação reflete sobre a hibridização das narrativas publicitárias, processo no qual se intensificam as intersecções entre o mercado publicitário, a indústria do entretenimento e as tecnologias interativas. Nesse cenário, a pesquisa se propõe a revisar a literatura científica para identificar o nível de influência dessas novas configurações do discurso persuasivo da publicidade sobre as audiências, sobretudo no que diz respeito aos impactos sobre a literacia mediática e ao resguardo dos direitos dos cidadãos. Diante da crescente dependência que a publicidade tem dos aparatos e das funcionalidades dos suportes interativos, investiga-se a proliferação de novos formatos publicitários que ensejam uma compreensão para além das lógicas e especificidades dos media e, nesse contexto, detém olhar sobre os novos papéis desempenhados por consumidores nas redes sociais digitais, onde passam a cumprir funções de produtores e disseminadores de conteúdos mediáticos, em diálogo com materiais produzidos e/ou patrocinados por marcas. A comunicação tem como sustentação proposições teóricas variadas, mas que estão em evidente diálogo: literacia mediática (Abreu, 2011; Potter, 1998; Kress, 2005), hipermediações e narrativas transmedia (Scolari, 2008; 2013), movimentos sociais na internet (Castells, 2012), interculturalidade na rede (García Canclini, 2004; 2007; 2008), correlações entre educação e consumo (Baccega, 2012), capacidade de interação dos media (Manovich, 2005) e o processo de hibridização das narrativas publicitárias (Covaleski, 2010; 2013). A comunicação objetiva apontar como a publicidade contribui e/ou afeta a literacia mediática dos consumidores contemporâneos e como tal fenômeno pode impactar o exercício da cidadania na sociedade atual.

________________________________________________________________________

Literacia em Saúde: Mentorship

A. Carvalho

Isilda Ribeiro

Escola Superior de Enfermagem do Porto

Palavras-chave: Acompanhamento dos estudantes; supervisão; Mentorship.

 

Resumo:

Problemática: A formação inicial em Enfermagem envolve duas componentes essenciais: teórica e prática, que se articulam e se vão complementando ao longo dos quatro anos de formação académica. Enquanto a primeira aprendizagem decorre nas escolas superiores de Enfermagem, a segunda normalmente é nas instituições de saúde. Esta componente prática inclui os estágios do 4.º ano do CLE, que envolve estudantes e docentes das escolas superiores de Enfermagem e enfermeiros da prática clínica onde decorrem os estágios, designados por tutores. A motivação e justificação, para estudar esta temática, encontram-se na necessidade de reflexão acerca do acompanhamento dos estudantes e do papel do tutor.

Metodologia: Optámos pelo modo de investigação um estudo de caso único (Yin, 2005), centralizando a nossa atenção no acompanhamento dos estudantes da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), em ensino clínico. Recorremos à observação participante, diários de aprendizagem e focus group.

Relevância e pertinência do trabalho para a área de pesquisa: Contribuir para um modelo de formação clínica onde o tutor é um profissional experiente, mais velho, que fica responsável pela formação do estudante. Um fator preocupante para os investigadores e mencionado por vários autores é a qualidade do acompanhamento dos estudantes, considerada por muitos como fator determinante para o sucesso do processo ensino/aprendizagem em contexto da prática clínica (Caires & Almeida, 2001).

Esta partilha de uma relação entre a literacia em saúde: mentorship, a parceria entre a escola e a instituição de saúde onde decorre o estágio, entre a teoria e a prática, entre docente/tutor e estudante, são essenciais na formação e no desenvolvimento de competências pelo estudante (Ramos, 2003).

________________________________________________________________________

O papel dos media na literacia para a saúde dos adolescentes

Diana Pinto

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Literacia, saúde, media, adolescentes.

 

Resumo:

Embora a literacia para a saúde seja estudada sob diversas perspetivas, existe ainda uma lacuna na investigação sobre o papel dos media neste domínio. A literacia para a saúde pode ser descrita como o conjunto das capacidades cognitivas e sociais determinantes na forma como os indivíduos acedem, compreendem e utilizam a informação para promover e manter uma vida saudável. A incidência no estudo das especificidades da literacia para a saúde dos adolescentes apresenta igualmente, grandes lacunas. No entanto, a literatura recente mostra que a literacia em saúde não pode ser totalmente compreendida sem introduzir o conceito de media, sobretudo quando o foco é o adolescente. Deste modo, este trabalho tem como objetivo analisar a relação entre a literacia em saúde do adolescente e os meios de comunicação, através de uma revisão da literatura. Pretende-se, assim, com recurso à análise da literatura existente sobre o tema, demonstrar o potencial dos media na promoção da literacia para a saúde, tendo em atenção o papel do adolescente no acesso e na procura de informação sobre saúde. O papel preponderante da Internet neste processo será igualmente analisado. Neste sentido, foi possível obter o panorama geral da literatura e das práticas recentes na área da literacia em saúde do adolescente. Para além de proporcionar novas linhas de investigação que promovem o aumento do conhecimento sobre este tema, este estudo forneceu também importantes direções para desenvolver e promover a educação para a saúde, de forma a instruir e estimular os indivíduos a fazer escolhas saudáveis que se traduzam numa maior qualidade de vida.

 

MESA 12 – Media, ludicidade e literacia

Moderador: Paula Lopes

Sala: Vermelha (Microsoft)

Sábado, 18 de abril, 09h00-10h30

Hábitos leitores e digitais dos educadores de infância: impacto no uso do computador pelas crianças do pré-escolar

Sónia Pacheco

FCSH/UIED

Palavras-chave: leitor, digital, literacia, pré-escolar.

 

Resumo:

O presente artigo tem por objetivo analisar de que forma os hábitos leitores e digitais dos educadores de infância influenciam o uso do computador pelas crianças dos 3 aos 6 anos de um jardim-de-infância. Recorre-se a entrevistas semi-diretivas aos docentes e à observação não participante do uso das TIC em contexto de sala de atividades pelas crianças. Pretende-se verificar o impacto cruzando os dados relativos aos hábitos leitores e digitais dos docentes com a utilização dos computadores pelas crianças.

O quadro teórico que fundamenta o nosso estudo de caso recorre, entre outros, a autores como Don Tapscott (2009) e Marc Prensky (2001) que refletem sobre as mudanças educativas que têm vindo a surgir desde a geração da net e a expandir-se nas sociedades entre os nativos e os imigrantes digitais. Ou Beltram, Das e Fairlie (2006) que sugerem que um maior contacto das crianças com as TIC promove o sucesso nas tarefas solicitadas pela escola.

Conclui-se que as docentes entrevistadas possuem hábitos leitores com influências diretas das suas famílias, posteriormente refinados pela exigência da profissão e as suas características pessoais. Os hábitos digitais foram definidos pelas exigências de se integrarem na sociedade de informação que, sublinham, exige do docente uma constante atualização de conhecimentos e o desenvolvimento de skills digitais. O impacto destes hábitos verifica-se a dois níveis: na organização do ambiente educativo, com uma área de trabalho que inclui o suporte tecnológico usado diariamente, e nas ações das crianças para com o desktop, em simultâneo com as oportunidades educativas propostas às crianças pelos docentes que implicam uma transversalidade entre áreas de trabalho.

________________________________________________________________________

O "Mundo Criança"...território de curiosidades e descobertas. A natureza, a cidade e a educomunicação em diálogo com a cidadania infantil

Grécia Rodriguez

Leonardo Albuquerque

Universidade do Minho

Palavras-chave: educomunicação; ambiente; cidadania infantil.

 

Resumo:

A criança não é um objeto. É um sujeito de sentimentos, com direitos e deveres que lhe formam e transformam. A gramática infantil permite observar como as crianças negociam, compartem e criam culturas infantis (Sarmento, 2004). Elas são capazes de apropriar-se, reinventar e reproduzir o mundo. São capazes de propor ideias a tais cenários e oferecer alternativas desafiantes a sociedade (Corsaro, 1997). Suas capacidades criativas surgem em forma natural a partir de um trabalho cooperativo e inclusivo, dentro de um ambiente de bem-estar emocional e envolvimento (Laevers, 2011).

Seguindo estas linhas teóricas, “Soy Niño, Sou Criança” estabeleceu-se como objetivo a sensibilização e participação de crianças em ações de Educomunicação, Ambiente e Cidadania Infantil" no norte de Portugal com o apoio das autoridades do Município de Ponte de Lima. Como resultado participaram por etapas 145 crianças de 08 a 10 anos, integrantes das escolas básicas de: Ponte de Lima, Feitosa, Correlhã, Vitorino dos Piães, Cabaços, Arcozelos e Refoios.

A dinâmica de trabalho sustentou-se nos parâmetros da metodologia participativa com crianças; perspetiva que as considera sujeitos de cidadania plena, com um sentir próprio e uma afetividade como linguagem para expressar suas interpretações do mundo (Alderson, 2000, Fernandes, 2009).

“Tornar-se amoroso” e responsável com o pensamento, a palavra e a ação, consigo mesmo, com o semelhante, com o ambiente natural e construído é uma demanda da sociedade para com as crianças. Esses comportamentos surgem como consequência de ações sistemáticas e constantes de processos experienciais que ofereçam às crianças a oportunidade de ser escutadas e respeitadas. Ser, viver e participar é uma consequência do agrado da convivência, do sentir a proximidade e uma meta “com o outro e para o outro” (Freire, 2006).

________________________________________________________________________

Lazer e Identidade no Uso de Novas Tecnologias por Crianças: “É o meu site”

Ana Monteiro

António Osório

Centro de Investigação em Educação, Universidade do Minho

Palavras-chave: crianças; tecnologias; lazer; identidade; investigação com crianças.

 

Resumo:

Este artigo retrata as culturas de lazer que as crianças estão a (re)criar com recurso às novas tecnologias e discute os processos identitários que lhes são transversais. Esta análise é feita com base num estudo etnográfico realizado em centros de ocupação de tempos livres, a casa dos participantes e centros de inclusão digital, no qual participaram 14 raparigas e 8 rapazes, com idades compreendidas entre 9 e 14 anos. A partir do que é designado na literatura metodológica como “investigação com crianças”, este trabalho teve como premissa central a abertura à voz das próprias crianças, de forma a refletir e valorizar a sua capacidade de agência, bem como potenciar a capacidade de os métodos e técnicas implementados nos ajudarem a conhecer e compreender as suas culturas. Resulta desta opção um desenho metodológico concretizado em conjunto com os participantes e, por isso, flexível, permeável, capaz de acolher e trazer para a análise a inevitável imprevisibilidade que caracteriza este processo. Esta abordagem assenta no reconhecimento das crianças como agentes sociais de pleno direito, considerando-as, à luz do seu estatuto social, interlocutores indispensáveis e competentes na investigação e ação sobre as suas vidas e mundos sociais. As crianças são, neste sentido, cidadãos plenos, envolvidos na construção das suas vidas e da sociedade, a partir das condições e competências que as distinguem enquanto grupo social e geracional.

Este texto contribui assim para um conhecimento profundo das atividades digitais com que as crianças ocupam os tempos livres e da forma como estas se relacionam com o desenvolvimento da sua própria autoimagem e inclusão nos grupos de pares. Do ponto de vista metodológico, faz ainda uma reflexão sobre o que é investigar com as crianças, como se faz e que conhecimento resulta desta abordagem.

________________________________________________________________________

Design de ludicidade co-participativo com crianças: contributos para a co-construção da literacia mediática

Conceição Lopes

Ana Monteiro

Andreia Silva

Ana P. Oliveira

Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro

Palavras-chave: ludicidade; design de ludicidade co-participativo; octógono co-participativo; conversa; influência; efeitos dos media; programação televisiva; animação; Scratch.

 

Resumo:

Os media são enriquecedores e promotores do desenvolvimento humano e social. Os novos media – internet – tornam os media clássicos mais acessíveis aos públicos infanto-juvenis. A televisão é um exemplo. Pensados como dispositivos de comunicação artificiais, os media imitam, cada vez melhor, os dispositivos naturais da comunicação humana. E, as crianças da geração Z usam os media com a familiaridade de brinquedos. A literacia mediática é uma das dimensões da literacia e da cidadania ativa. Através dela, a formação de sujeitos reflexivos, críticos, argumentativos, lúdicos e interventivos, que se orientam por valores referidos ao Humano, é exponencialmente potencializada. O que veem, como pensam, argumentam, explicam, decidem e sugerem as crianças, entre os 3 e os 9 anos de idade, que usam a televisão e a internet?  Esta é a questão de investigação em desafio.  O enquadramento teórico escolhido é o design de ludicidade co-participativo (Conceição Lopes), cujos fundamentos estão na Escola de Pensamento dos autores de Palo Alto (1967), na teoria orquestral da comunicação de Gregory Bateson, Paul Watzlawick et. al (1967), na pragmática da ludicidade de Lopes (1998) e na teoria da experiência de Adriano Duarte Rodrigues (1997). O objeto de estudo desta teoria são as interações conversacionais entre crianças, dinamizadas por adultos. A metodologia utilizada – design de ludicidade co-participativo com crianças – é qualitativa, de inspiração etnográfica, hermenêutica e de investigação-ação. É uma metodologia que promove o “aprender a aprender como se aprendeu” (Bateson,1964). E, cujos resultados são demonstrados, no projeto global “Trocado por Miúdos”. A dinamização da motivação autointrínseca das crianças em situação envolve vários métodos, de que se destacam o octógono co-participativo, o grupo de discussão, o focus grupo e a análise de conteúdo. Bem como várias técnicas de recolha e registo das orientações das crianças, sendo elas, a constelação de atributos (Joan Costa) e o diferencial semântico (Osgood). Nesta comunicação colocar-se-á à discussão o quadro teórico e a metodologia do design co-participativo com crianças. Assim como alguns dos resultados obtidos, no âmbito dos sub-projetos: Histórias por desvendar: uma série televisiva co-construída com crianças; Está no ar – o que dizem, pensam e sugerem as crianças sobre o que veem e o que oferecem os programadores dos canais temáticos de televisão e Scratch’ando com o sapo na infância – o que dizem e fazem as crianças com o Scratch. Realizados com as crianças do Colégio da Torre, em Lisboa, no período de 2010-2014, e que nos permitem afirmar a coerência e consistência da concetualização utilizada.

________________________________________________________________________

COMUNICAÇÕES LIVRES 4

SÁBADO, 18 DE ABRIL, 14.00h-15.30h

MESA 13 – Competências de Literacia para os Media

Moderador: Cristina Ponte

Sala: Azul (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 14.00-15.30h

Competências de literacia mediática em Portugal: Um estudo na educação pré-escolar, obrigatória e superior

Armanda Matos, Maria Isabel Festas e Ana Maria Seixas

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra

Palavras-chave: meios de comunicação; literacia mediática; avaliação de competências.

 

Resumo:

A ubiquidade dos meios de comunicação na sociedade atual constitui um facto inegável, para o qual tem contribuído o rápido desenvolvimento das tecnologias digitais, que impregnam todos os âmbitos da vida quotidiana dos cidadãos. Neste contexto, a educação para uma utilização crítica e criativa dos media e para o domínio de diferentes sistemas simbólicos revela-se fundamental, devendo alicerçar-se numa descrição rigorosa e numa compreensão aprofundada dos conhecimentos, atitudes e competências de literacia mediática dos cidadãos.

Neste trabalho apresentamos um projeto de investigação que tem como objetivo principal conhecer o nível de competências de literacia mediática de crianças e jovens da educação pré-escolar e obrigatória, bem como de estudantes universitários. Trata-se de um projeto que envolve seis instituições de ensino superior portuguesas (Universidade de Coimbra, Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Aberta e Instituto Politécnico de Castelo Branco), inserindo-se ainda na rede ALFAMED, uma rede interinstitucional euroamericana que tem o compromisso de colaborar no desenho, desenvolvimento e difusão de trabalhos de investigação sobre competências de literacia mediática, em países latino-americanos e europeus.

A avaliação das competências de literacia mediática na educação pré-escolar, obrigatória e superior baseia-se num conjunto de dimensões que configuram o conceito de competências: a linguagem, a tecnologia, os processos de produção e programação, a ideologia e os valores, a receção e audiências e a dimensão estética (Ferrés & Piscitelli, 2012*). Este diagnóstico, constituindo um pré-requisito essencial para a elaboração de propostas formativas adequadas e eficazes, é efetuado recorrendo a uma metodologia mista, que combina técnicas quantitativas e qualitativas.

________________________________________________________________________

Avaliação de práticas e de competências de literacia mediática: Conceptualização e instrumentos metodológicos

Paula Lopes

Universidade Autónoma de Lisboa; Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: literacia mediática; práticas mediáticas; competências de literacia mediática; avaliação de competências de literacia mediática.

 

Resumo:

Há quase uma década que a União Europeia vem reclamando a avaliação da literacia mediática dos cidadãos e o seu enquadramento em níveis. Na verdade, já o documento Directiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia sugeria que, a partir de 2011, “de três em três anos, a Comissão deva apresentar ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e Social Europeu, um relatório (…) à luz dos progressos tecnológicos recentes, da competitividade do sector e dos níveis de educação para os media em todos os estados-membros”.

A avaliação de práticas mediáticas no espaço da União Europeia tem crescido exponencialmente nos últimos anos, particularmente com recurso a referenciais teórico-empíricos quantitativos-extensivos. O mesmo não se pode dizer em relação à avaliação de competências de literacia mediática: só muito recentemente se têm ensaiado modelos e instrumentos de recolha de informação. Em muitos casos, pode dizer-se que parece existir uma certa confusão entre o que são práticas mediáticas e o que são competências de literacia mediática, o que avaliar, como avaliar e que tipo de instrumentos desenvolver e aplicar.

Nesta comunicação, fruto da reflexão levada a cabo em Literacia mediática e cidadania: Práticas e competências de adultos em formação na Grande Lisboa, partimos da conceptualização de “prática” e de “competência” para, num segundo momento, apresentarmos os instrumentos metodológicos desenvolvidos – alguns dos indicadores de práticas mediáticas e algumas das tarefas para avaliação de competências de literacia mediática – e os principais resultados alcançados.

A investigação foi desenvolvida, entre 2009-2013, no âmbito do Programa de Doutoramento em Sociologia do ISCTE. A operacionalização teve por base a aplicação de um inquérito por questionário – para avaliação de práticas mediáticas – e de uma prova de literacia mediática – para avaliação de competências de literacia mediática –, entre Março e Junho de 2012. A pesquisa envolveu 520 adultos a frequentar acções de formação nesse ano lectivo, na Grande Lisboa.

________________________________________________________________________

Avaliação dos níveis de literacia mediática: Estudo exploratório com adultos no mercado de trabalho

Amália Carvalho

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: literacia mediática; competências; práticas; adultos.

 

Resumo:

Este trabalho tem como principal objetivo avaliar os níveis de literacia mediática em adultos, através de um estudo exploratório, aplicado num contexto empresarial. Procurando contribuir para o conhecimento empírico neste campo de estudo, pretende-se compreender quais são as práticas mediáticas, as competências de literacia mediática e as práticas de cidadania que caracterizam o grupo de adultos em estudo.

Hoje em dia, atividades rotineiras como procurar horários para um comboio, falar com um amigo, fazer as compras semanais, procurar informação credível, etc., são cada vez mais mediadas por negócios comerciais, o que exige níveis altos de literacia mediática nos adultos no seu papel de cidadãos e consumidores (Livingstone & Wang, 2014). De facto, a educação para os media deve ser vista como uma aprendizagem ao longo da vida. “Mais do que nunca os cidadãos precisam de ter uma análise crítica da informação independentemente dos sistema simbólico usado (imagem, som e texto), para produzir conteúdo por eles próprios e para se adaptarem à mudança social e no trabalho” (Bevort et al.).

Traçando uma panorâmica das exigências da «sociedade da informação», mencionando concretamente o caso da União Europeia e a sua preocupação com a «sociedade do conhecimento» como contribuição fundamental para a competitividade económica, estreitamos a questão da literacia mediática para o quotidiano dos adultos, nomeadamente no contexto laboral.

Para o estudo intensivo da literacia mediática, a opção pela metodologia qualitativo-quantitativa tem sido reconhecida como uma estratégia metodológica eficaz (Lopes, 2013). Neste sentido, este estudo articula os métodos quantitativos e qualitativos através da aplicação de um questionário e da realização de focus groups. O questionário foi aplicado a 201 pessoas que trabalham numa empresa da região do Minho, situada no distrito de Braga. Posteriormente à aplicação dos questionários, foram realizados três focus groups com o objetivo de explorar os principais resultados obtidos através dos questionários.

A partir dos resultados obtidos, procura-se contribuir para a investigação empírica dos níveis de literacia mediática nos adultos e traçar algumas rotas possíveis para o desenvolvimento de novas ferramentas de medição de literacia mediática dos adultos.

________________________________________________________________________

Sustentabilidade e medição de impactos em organizações culturais: o papel dos indicadores de literacia mediática, comunicação e cidadania

Paula Ochôa

Leonor Pinto

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa- CHAM, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género

 

Palavras-chave: sustentabilidade; organizações culturais; medição de impactos; informação-documentação.

 

Resumo:

Ao longo de 2014, a importância da medição e avaliação dos impactos tem vindo a ser destacada em várias áreas: nas bibliotecas, com o surgimento da norma ISO 16394 - Methods and procedures for assessing the impact of libraries; na reflexão e debate em torno dos compromissos e metas que irão integrar a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015; e na discussão da integração da Cultura como o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, com destaque para a criação pela UNESCO de uma bateria de (22) Indicadores de Cultura para o Desenvolvimento e para a recente realização do UNESCO World Forum on Culture and the Cultural Industries, onde foi reconhecida a complexidade da criação e gestão integrada de indicadores.

Visando participar no debate e apresentar contributos para a resposta à questão “Como podemos medir os impactos das organizações culturais e o seu contributo para o desenvolvimento sustentável?” foi desenvolvido um workshop interdisciplinar de desenvolvimento de competências de avaliação de impactos no âmbito do Mestrado em Ciência da Informação e Documentação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (janeiro-junho 2014). Um dos resultados desta iniciativa foi a construção de uma estrutura de medição e avaliação do desempenho de organizações culturais, centrada em 7 potenciais dimensões de impacto - Economia, Educação, Património, Comunicação, Governança, Participação Social e Igualdade de género – e a sua aplicação ao campo da Informação e Documentação.

Esta comunicação tem, assim, por objetivo apresentar esta Estrutura de Medição e Avaliação de Impactos, discutindo o seu papel na recolha de evidências nas áreas da literacia mediática, comunicação e cidadania.

MESA 14 – Projetos e experiências de Educomunicação

Moderador: Teresa Pombo

Sala: Amarela (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 14.00-15.30h

A literacia para os Media no ensino secundário: estudo e desenvolvimento de um modelo de práticas pedagógicas

Andreia Vilhena,

Fernanda Martins

ICPD, Universidade do Porto, Universidade de Aveiro

Palavras-chave: Literacia mediática; media, competências de literacia mediática; educação.

 

Resumo:

Enquadramento:

A proposta de comunicação incide sobre um projeto de intervenção, baseado na análise de conteúdos de programas mediáticos, para o desenvolvimento da literacia aplicada aos conteúdos dos Media, com base nos progressos alcançados na investigação teórico-empírica.

Objetivos:

- Desenvolver um programa de incentivo à literacia mediática, a aplicar a estudantes do ensino secundário do distrito do Porto.

- Caracterização de práticas adequadas à compreensão e avaliação crítica dos conteúdos dos Media.

- Identificar estratégias pedagógicas e de conteúdos de aprendizagem, passíveis de serem enquadrados no panorama escolar nacional da educação para os Media.

Fundamentação:

O interesse por este campo surgiu a partir das recomendações para a realização de investigação e de exploração das potencialidades do currículo referenciadas pelo estudo da ERC elaborado pela Universidade do Minho, pela ONU e por especialistas internacionais. A elaboração do modelo irá basear-se numa análise focada em programas referenciados para o ensino da literacia mediática a nível internacional, nomeadamente para motivar os alunos a questionar as mensagens dos Media, a desenvolver competências de análise, interpretação e avaliação das mensagens dos Media e do pensamento crítico, de acordo com a temática do paradigma atual da literacia mediática. Atender-se-á, nomeadamente, ao programa “English 11 at Concord High School”, ao projeto “SMARTArt” nos EUA; ao “Understanding Media Literacy” no Canadá e ao “Media Education” publicado pela UNESCO em 2007.

Metodologia:

Após a elaboração do programa a nível escolar proceder-se-á à sua intervenção e aplicação junto dos estudantes, utilizando uma metodologia de investigação-ação. Recorrer-se-á a dois grupos idênticos (de controlo e experimental), para avaliar a intervenção realizada. Pretende-se aplicar uma prova de literacia mediática, em dois momentos, no início e no final da aplicação do programa, a ambos os grupos, de forma a avaliar a eficácia do mesmo, na melhoria das competências de literacia mediática dos estudantes.

________________________________________________________________________

Projeto EduComunicAção: educação para os media no 2º ciclo do ensino básico português Clarisse Pessôa

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Literacia mediática; media; competências de literacia mediática; educação.

 

Resumo:

Tendo em conta que a relação com os media dá-se a partir da infância e que as crianças comportam-se cada vez mais como consumidores e produtores mediáticos, torna-se relevante que estas entendam como fazer um uso consciente e crítico das potencialidades dos meios de comunicação social, diminuindo os riscos que envolvem a sua utilização. Sendo a escola um dos principais agentes de socialização da criança, faz todo o sentido que esta acompanhe a realidade vivida na infância. A Educação para os Media, enquanto processo pedagógico, visa o planeamento, a implementação e a avaliação de procedimentos que contribuam para o desenvolvimento de ecossistemas comunicativos, nomeadamente, em ambientes educativos. Neste sentido, a presente comunicação pretende dar a conhecer os primeiros resultados de um trabalho empírico que está decorrer em turmas do 2º ciclo do ensino básico, numa escola do norte do país, durante todo o ano letivo de 2014/2015. Obedecendo à a uma metodologia de investigação-ação, o projeto EduComunicAção ocorre em cada turma semanalmente, durante 45 minutos, no âmbito da disciplina de Educação para a Cidadania. Consagrando-se em três etapas fundamentais, diagnóstico, ação e avaliação,  o projeto visa o desenvolvimento da literacia mediática através de atividades criativas e dinâmicas que impliquem as crianças, colocando-as no centro do processo de aprendizagem. As atividades apelam para a expressão, interação, criatividade e produção de conteúdos mediáticos, numa perspectiva inclusiva e aberta à multiculturalidade. Promove o acesso aos meios de comunicação social, o uso dos media, a busca, a seleção e a avaliação da informação circundante, e a consequente aplicação desta informação na rotina social. É um projeto piloto que faz parte de uma investigação doutoral mais alargada, e que pretende auxiliar a comunidade escolar no desenvolvimento de atividades com vista à educação para os media, podendo consagrar-se num modelo a ser utilizado a nível nacional.

________________________________________________________________________

EDUCOMUNICAÇÃO: Campo, Interdisciplinaridade e Formação

Karina Elian

UniBH / FAPEMIG / Educomuni

Palavras-chave: Educomunicação; formação; interdisciplinaridade.

 

Resumo:

Esta pesquisa investiga a educomunicação como uma nova área do conhecimento, buscando conhecer o perfil do profissional educomunicador, desafios da prática educomunicativa, propondo uma reflexão sobre a interdisciplinaridade que o campo apresenta. A análise desses elementos estabelece um interfaceamento das áreas comunicação/educação, melhorando o processo ensino/aprendizagem, apontando a prática educomunicativa como instrumento de transformação social.

A educomunicação objetiva educar cidadãos críticos para leitura dos meios de comunicação, promovendo formação integral que vivencia a realidade da sociedade em rede. É importante entender o contexto do processo educacional dentro desta sociedade em transformação bem como o professor do século XXI e, como esse profissional pode promover uma prática cidadã, em tempos marcados pela influência da comunicação no processo de formação.

Além da pesquisa bibliográfica, foram realizadas entrevistas em Minas Gerais e São Paulo com educadores, educomunicadores, profissionais da comunicação e o disseminador da educomunicação no Brasil . Na pesquisa de campo, aliou-se teoria/prática com intervenções no espaço de formação profissional  ASSPROM (Associação Profissionalizante do Menor), onde jovens participam do curso de preparação para o mundo do trabalho.

Foram promovidas ações educomunicativas na formação dos adolescentes/aprendizes, com orientação profissional, atividades socioeducativas, cultura, saúde, políticas públicas, além daquelas que desenvolvem papel cidadão. O objetivo foi preparar esses jovens na visão empreendedora de mercado e formação, oferecendo oportunidades de acesso a outros saberes e questionamentos que perpassam conteúdos oferecidos nos espaços formais, trazendo a mídia para o processo.

Pensar em educomunicação é pensar numa prática inovadora, para atender uma demanda atual, interessada em tecnologia/mídias, que vive a era da informação. Quanto mais à educação relacionar com os meios de comunicação, mais possibilitará uma educação mais usual ou pragmática, compatível com a realidade da sociedade atual.

________________________________________________________________________

Trabalho crítico e educomunicação

Ana Rosa Dolabella

Centro Universitário de Belo Horizonte

Palavras-chave: Trabalho crítico; Educomunicação; pesquisa.

 

Resumo:

A criação de um novo campo do conhecimento, que se origina no encontro entre dois ou mais domínios de saber, é o resultado de um diálogo que se propõe interdisciplinar, por meio da circulação de pontos de vista, critérios e reflexões. A esse diálogo, denomina-se trabalho crítico.

Esta proposta visa discutir a implantação de um grupo de pesquisa interdisciplinar em um centro universitário em Belo Horizonte (MG/Brasil), UniBH, e suas implicações para as comunidades docente, discente e externa.  Opta-se por apresentar algumas das atividades desenvolvidas pelo grupo Educomuni, formado de professores orientadores e alunos bolsistas, para o estudo das mídias, dos cursos de comunicação e de pedagogia, no período de 2012 a 2014. Constituem-se de intervenções de sensibilização para a temática, bem como conscientização para as práticas interdisciplinares, além de se estabelecer pontes entre o mercado de trabalho e a formação dos futuros profissionais.

Note-se a diversidade de saberes que circulam no espaço de interação social e que novas habilidades para o uso desses saberes são, dessa forma, demandadas pela sociedade às instâncias socializadoras como a instituição escolar. Novas linguagens baseadas nas interações midiáticas, novos ambientes, novas formas de aprender e de produzir conhecimento se impõem na construção de um novo campo do conhecimento e da ação, a educomunicação. Daí a importância que se propõe ressaltar para grupos de pesquisa interdisciplinares que tratam sobre o discurso das mídias, cujas intervenções se fundamentam na transformação social para/pela  contemporaneidade.

E, dessa forma, trabalho crítico nas interações entre os atores e o objeto de ensino (mediações), sobre o discurso das mídias, na universidade, pode alimentar a mobilização política da esfera civil, sobretudo no Brasil, com repertórios de informação e “estoques cognitivos” (GOMES, 2003), tão necessários à prática cidadã.

________________________________________________________________________

Comunicação nos espaços de educação formal

Raija Maria Vanderlei de Almeida

Universidade Federal de Campina Grande

Palavras-chave: literácia mediática; educomunicação; educação formal; tecnologias da informação e comunicação; linguagem midiática.

 

Resumo:

Esta comunicação tem como tema a análise das experiências obtidas na disciplina Comunicação nos Espaços de Educação Formal do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Campina Grande, no interior do Nordeste do Brasil, que tem uma linha de formação em Educomunicação, um novo campo de atuação na sociedade contemporânea, criando uma interface entre comunicação e educação, com uma formação humanística consolidada e, logo, com condições de realizar uma leitura crítica dos sistemas de comunicação e dos processos de mediação social. Esta disciplina é oferecida no primeiro período do curso e visa o planejamento e elaboração de estratégias de integração dos meios de comunicação no cotidiano com as múltiplas linguagens e suas tecnologias no espaço escolar, bem como o assessoramento a professores, organização de acervo, desenvolvimento de e organização de infra-estrutura para mediações. A disciplina tem como objetivo mapear e criar práticas educomunicativas em ambientes educativos que lidam com a educação formal. Com o objetivo de explorar o potencial das tecnologias e da comunicação na aprendizagem, planejar e elaborar estratégias de integração dos meios de comunicação, mapear as práticas educomunicativa. O seu conteúdo programático distribuído em 3 unidades. Na primeira unidade os alunos tem um contato com os novos modos de conhecer; a linguagem audiovisual no contexto escolar e no final da unidade ele fazem uma atividade de campo em escolas de educação formal mapeando as práticas educomunicativas e assessorando  professores, planejamento e elaborando de estratégias de integração dos meios de comunicação na escola que envolvam a linguagem audiovisual. Da mesma forma acontecem com as linguagens radiofônicas, jogos, internet e Educação a distância nos dois módulos seguintes. Ao final os alunos obtém uma experiência intensa na relação entre a teoria e a práxis, vivenciando algumas das muitas possibilidades da educomunicação e da literácia midiática.

 

MESA 15 – Programas e políticas de MIL

Moderador: Manuel Pinto

Sala: Azul (Pavilhão do Conhecimento)

Sábado, 18 de abril, 14.00-15.30h

Programa Educativo de Literacia Informacional e Mediática

Simão Lomba

Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

Palavras-chave: literacia informacional e mediática; média; TIC; formação de professores.

 

Resumo:

Este trabalho centra-se na dimensão mediática de um Programa Educativo de Literacia Informacional e Mediática (PELIM) dirigido a estudantes do Ensino Básico e Secundário. O PELIM será desenvolvido através de um trabalho colaborativo entre o professor bibliotecário e os restantes professores. A criação, aplicação e avaliação do PELI faz parte de uma investigação de Doutoramento em Educação na Especialidade de TIC e Educação no IE-UL.

O principal objetivo desta investigação é desenvolver a literacia informacional e mediática (LIM) (UNESCO, 2013, 2014; UNESCO & IFLA, 2012) dos estudantes do Ensino Básico e Secundário.

As competências de LIM são componentes essenciais dos Direitos Humanos (UNESCO, 2010) e são indispensáveis para o exercício da cidadania numa sociedade democrática.

Para fundamentar o PELI baseámos-nos no modelo Information Seek Process (ISP) (Kuhlthau, 2004) e no Guided Inquiry (Kuhlthau, Maniotes, Caspari, 2007, 2012).

A dimensão mediática deste programa será desenvolvida na análise crítica das mensagens utilizadas na informação que os alunos utilizam para a realização dos seus trabalhos e nos produtos que eles irão criar durante as suas atividades.

O PELI será desenvolvido por professores no âmbito de uma ação de formação, onde após uma aprendizagem do método ISP e do Guided Inquiry irão aplicá-lo nas suas aulas com os alunos em trabalhos que envolvem pesquisa de informação. Na formação os professores irão planear a implementação do seu PELI de forma colaborativa, depois de terem participado eles próprios num processo semelhante ao que irão aplicar nas suas aulas, onde criaram produtos (materiais didáticos) para disponibilizar aos estudantes.

Este estudo é baseado em métodos mistos de investigação (Creswell & Clark, 2011; Teddlie & Tashakkori, 2009) com a recolha de dados quantitativos e qualitativos junto dos participantes professores e alunos. Tanto os professores como os estudantes responderão a inquéritos por questionário antes e depois da intervenção.

_____________________________________________________________________

Projetos Europeus e a Literacia para os Media

Carla Belo

Rui Baltazar

Agrupamento de Escolas Emídio Navarro – Almada

Palavras-chave: ALMADA, projectos europeus; segurança na Internet; vídeo; media.

 

Resumo:

O projeto a apresentar (PLAY WEB) teve origem num convite feito pela Srª. Eleonora Salvadori, diretora do Centro de Educação e Mídea da Universidade de Pavia à, nessa altura ainda, Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada. Foi criada para o efeito uma equipa multidisciplinar de professores [Rui Baltazar (coordenador), Ana Ávila Silva, António Barreiros, António Sales, Carla Belo, Ludgero Leote e Rute Navas]. Este projeto foi financiado pela Agência Nacional PROALV, através do seu programa COMENIUS, e tivemos como parceiros escolas secundárias de Itália (Pavia), de França (Lyon) e de Espanha (Sevilha).

O projeto PLAY WEB (www.play-web.eu) visou criar uma série de produtos, alguns deles em formato digital, que tinham como objetivo sensibilizar alunos, professores e encarregados de educação para uma utilização mais segura da Internet. Entre as muitas atividades dinamizadas, encontra-se um concurso de vídeo, o qual foi lançado em simultâneo nos quatro países participantes deste projeto. No caso português, o regulamento foi adaptado para ir ao encontro do concurso “7 dias, 7 dicas sobre os media”, promovido pela Rede de Bibliotecas Escolas. Os trabalhos realizados pelos alunos foram muitos e de elevada qualidade. O vídeo vencedor foi divulgado durante um dos encontros com todos os parceiros deste projeto europeu, em Almada. Alguns momentos deste encontro foram captados pelas camaras da TV ALMADA e estão disponíveis em https://www.youtube.com/watch?v=pBNFsp3xHnE .

________________________________________________________________________

Observatórios de Media enquanto espaços de cidadania e o lugar das políticas públicas de Educomunicação

Cristiane Parente

Manuel Pinto

Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho

Palavras-chave: Observatórios de Mídia; Educomunicação; cidadania; políticas públicas.

 

Resumo:

Boa parte do que acreditamos conhecer sobre a realidade nos chega a partir dos media. Segundo Pinto et al (2011) eles são um ambiente e uma dimensão que marcam cada vez mais a vida das pessoas, assim como também dificilmente podemos aprender a ser cidadãos sem compreendê-los criticamente, já que eles constroem um mundo comum para os cidadãos (Martins, 2011). E isso acontece especialmente a partir de relatos, narrativas, construções sociais.

A presente proposta de comunicação busca analisar os observatórios de media no contexto ibero-americano enquanto espaços de participação social, aprendizagem crítica e cidadania, e compreender de que forma eles podem contribuir para a análise, criação e implementação de políticas de educação para a mídia e formação de uma geração mais autônoma e eticamente responsável diante das mensagens da mídia, estimulando a criação de políticas públicas de educomunicação e/ou literacia mediática.

Bertrand (2002) destaca que quando os observatórios tornam transparente a “maquinaria da mídia”, estão contribuindo não apenas para melhorar a qualidade dos meios de comunicação, como para a formação de cidadãos mais educados, mais alfabetizados midiaticamente, que possam consumir e fruir de forma mais crítica e construtiva as mensagens que recebem diariamente dos meios de comunicação.

Para analisar os observatórios e seu papel, trabalhamos com os conceitos de políticas públicas, cidadania e educomunicação/literacia mediática, além de fazer uma sistematização dos tipos de observatórios a partir de uma tipificação/classificação dos mesmos de acordo com o local onde estão inseridos, missão, metodologias utilizadas, público atendido, etc

________________________________________________________________________

 

Estratégias para recolher e organizar iniciativas de MIL numa escala global

Luís Pereira

Belinha de Abreu

Coventry University; Fairfield University

Palavras-chave: MIL; mapeamento de iniciativas; DIMLE.

 

Resumo:

O número de iniciativas relacionadas com Media and Information Literacy - MIL (UNESCO, 2011) tem aumentado significativamente nos últimos anos um pouco por todo o mundo. Com tantos (novos) programas, organizações, recursos, publicações, projetos de pesquisa, torna-se inviável acompanhar todos eles ou até mesmo saber da sua existência. Este paper pretende apresentar e discutir iniciativas que procuram dar resposta ao problema da ausência de um mapeamento abrangente e, ao mesmo tempo, fiável.

A apresentação centra-se sobretudo numa iniciativa denominada DIMLE - Digital International Media Literacy Ebook Project. Este projeto criou uma rede de contactos de diferente países para adaptar um conjunto de materiais sobre educação para os media para diversos contextos. De momento, são quase duas dezenas as línguas em que está a ser escrita esta publicação. A língua portuguesa (tanto na variante portuguesa como brasileira) é uma delas.

A partir desta experiência de criação de uma rede informal de experts para criação de conteúdos adaptados aos diferentes contextos, pretende-se recolher sugestões, críticas e comentários das pessoas presentes sobre iniciativas que procuram registar diferentes matizes de MIL locais.

________________________________________________________________________

 

Olhares sonhadores para uma literacia em desenvolvimento

Inês Santos Moura

Vania Baldi

Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro

Palavras-chave: Arte audiovisual; criatividade; educação;  tecnologias da comunicação.

 

Resumo:

A presente investigação tem como objetivo desafiar práticas de uso criativo e responsável das novas tecnologias da comunicação na escola básica do bairro de S. Tomé (Paranhos-Porto). Nesse sentido, promovem-se atividades para consciencializar as crianças das potencialidades e dos funcionamentos deste conjunto de linguagens de expressão, partilha, aprendizagem e transmissão de conhecimento. Pretende-se também reconhecer a tecnologia e a literacia hipermédia como uma forma de reflexão e de intervenção emancipadora no tecido da comunidade onde atua.

Objetivos

Apresentar-se-ão resultados de uma investigação em fase de finalização com base nos seguintes objetivos:

- Documentar / registar, em vídeo e fotografia, a realidade das crianças da escola básica do 1º ciclo do bairro de S. Tomé, os seus anseios e os seus sonhos, os seus problemas e as suas imaginações transformadoras;

- Testar o grau de familiaridade das crianças com as novas tecnologias da comunicação e compreender os desejos e as fantasias projetadas nelas.

Objetivos Operacionais:

- Concretizar entrevistas com as crianças acerca da sua realidade envolvente;

- Executar uma oficina de cinema e fotografia com o grupo de crianças, com vista a fornecer conhecimento técnico e estético;

- Colocar as crianças em contacto direto com as novas tecnologias da comunicação.

Metodologia

Para o presente estudo, utilizar-se-á uma abordagem qualitativa recorrendo ao desenvolvimento de uns produtos comunicacionais. A investigação será elaborada com os participantes da mesma – as crianças. A colaboração e perspetiva de cada elemento será um contributo para compreender a problemática ou o fenómeno do estudo.

Amostra

O presente estudo contará com a participação de 3 a 5 alunos, com idades compreendidas entre os 7 e 8 anos de idade, do 2º ano da turma A da escola básica de S.Tomé (Paranhos-Porto).

Resultados parciais

- Que as crianças reconheçam as tecnologias de comunicação como algo útil e relevante para o seu quotidiano;

- Que os participantes desta investigação estejam mais sensibilizados para a utilização das novas tecnologias de comunicação de um modo criativo e colaborativo.

Conclusões

As atividades desenvolvidas com as crianças irão proporcionar mais conhecimento relativo às formas de utilização e aplicação das tecnologias da comunicação.

As oficinas práticas e o uso das tecnologias artísticas e de comunicação promovidas oferecem a possibilidade de experimentar novas formas de ensino/aprendizagem informais, proporcionando novas formas de literacia criativa e de partilha entre os participantes.

 

MESA 16 – Media e cidadania

Moderador: Vítor Tomé

Sala: Vermelha (Microsoft)

Sábado, 18 de abril, 14.00-15.30h

 

As ONG como voz da sociedade civil organizada nos media - Um olhar sobre a RTP, a TSF, o Público e a agência Lusa

Sonia Lamy

Instituto Politécnico de Portalegre/CIMJ/C3i

Palavras-chave: Organizações não Governamentais; jornalismo; fontes de informação; sociedade civil; ética.

 

Resumo:

As dinâmicas das Organizações não Governamentais (ONG) identificam-se com a voz da sociedade civil e a sua representatividade mediática pode ser um espelho do trabalho desenvolvido por estes grupos. Diariamente identificamos alguma consistência na presença vozes não governamentais nos meios de comunicação social. Consideramos que as ONG contribuem para o estímulo do debate público sobre questões sociais, através dos media.

Apesar de os jornalistas privilegiarem um contacto mais regular com as fontes de informação oficiais (Sigal, 1973, Manning, 1998, Deacon, 1999) e darem preferência clara a fontes burocráticas, governamentais e corporativas, as ONG têm vindo a fundamentar uma maior presença mediática. De facto, “o processo cria uma hierarquia de fontes estabelecidas, o Governo e a maior parte dos partidos políticos garantem a atenção dos media, seguidos das organizações políticas e de grandes uniões.” (Jong, 2005:112).

Natalie Fenton (2009: 161) sugere que além do papel essencial da boa relação entre a fonte e o jornalista, há cada vez mais métodos alternativos para chegar às notícias. Fenton admite que as ONG mais pequenas e com menos recursos parecem estar em clara desvantagem no acesso aos media, mas todas sabem que apenas “vão ter as suas vozes ouvidas se subscreverem critérios jornalísticos com experiência e profissionalismo” (Fenton 2009:161). É importante refletir sobre a possibilidade de um novo papel para estas organizações que são reflexo da sociedade civil organizada.

No sentido de contribuir para a reflexão propomos partir de uma análise das notícias da Agência Lusa, do jornal Público, da RTP e da TSF de modo a compreender de que forma as ONG se posicionam enquanto fontes de informação. A partir do estudo da presença das ONG nos meios de comunicação social, tentamos compreender as principais tendências da cobertura dos temas reproduzidos pelas ONG e assim contribuir para a reflexão sobre o modo como os jornalistas se relacionam com as ONG.

A nossa pesquisa tem como base a análise de 462 notícias publicadas no decorrer de quatro semanas por ano, durante três anos (entre 2009 e 2011). Verificamos que ONG relacionadas com igualdade de género, direitos sexuais, cidadania, e discriminação social têm alguma presença como fontes de informação, mas não são de todo as mais procuradas pelos jornalistas. Apenas em cerca de 16 por cento das notícias identificadas estas ONG são fontes de informação, e o tipo de situações que os jornalistas mais procuram as ONG são para recolha de declarações sobre o tema da peça, no sentido de completar a informação avançada em temas de atualidade.

________________________________________________________________________

Regionalização na mídia: um olhar sobre as reportagens da revista Cidade Verde – Piauí – Brasil

Gislane Moraes

Samantha Carvalho

Universidade Federal do Piauí

Palavras-chave: Globalização; produção de conteúdo; mídia regional; revista Cidade Verde.

 

Resumo:

O presente artigo está concentrado no debate sobre o processo de regionalização da mídia, visto que a globalização da comunicação abriu novos locais de interação, que já não estão mais ligados ao espaço físico comum, modificando a noção espaço/temporal das relações humanas.  Ocorre assim, o intercâmbio de conteúdos simbólicos das mais variadas regiões, que contribui na construção de hibridismos sociais, ao qual, Castells (1999) vai designar de sociedade em rede. O paradoxo dualístico de aspectos globais e regionais no contexto da comunicação, faz a mídia regional se fortalecer, pois, o interesse por assuntos de proximidade e pertencimento ganha volume. O estudo se propõe a refletir como em tempos de globalização, o conteúdo regional é aplicado pela Revista Cidade Verde, a partir da análise das suas reportagens especiais, identificando ausência/presença de conteúdo regional, assim como, os assuntos regionais mais abordados, com o intuito de perceber como essa mídia aplica a ideia de regionalização. A Revista Cidade Verde, mídia regional brasileira, tem circulação no Estado do Piauí. Esse debate tem por objetivo apresentar conceitos que problematizem as questões relacionadas a globalização, e a regionalização da mídia, tendo como pressuposto o entendimento de que há uma relação entre elas, que possibilita uma leitura crítica da mídia e do uso que fazemos dela na sociedade. A pesquisa traz as reflexões de autores como Giddens (2007), Thompson (2014), Peruzzo (2009), entre outros. Trata-se de um estudo quanti-qualitativo, de cunho analítico /descritivo/ exploratório que tem como método a análise de conteúdo. O artigo traz considerações a respeito do papel da mídia regional, que mesmo envolvida por uma lógica global e uma demanda desenfreada de informações globais, pode abordar conteúdos levando em consideração, as identidades, características e necessidades do território de sua pertença atuando de forma a reforçar/construir valores humanos e éticos.

________________________________________________________________________

 

Os orçamentos participativos na imprensa nacional diária portuguesa

João Limão

CECS - Universidade do Minho; CIES/ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa; LabCom - UBI; CIMJ; CECL e CICANT - Universidade Lusófona

Palavras-chave: Orçamento participativo; agenda dos media; efeitos dos media; fontes jornalísticas.

 

Resumo:

Objetivos: A partir da premissa de que a informação e comunicação são essenciais para o exercício democrático e participação cidadã, a presente pesquisa pretende verificar se a comunicação social nacional desempenha esse papel informativo no caso dos orçamentos participativos (OP) em Portugal.

Enquadramento: Num momento em que se verifica uma crise na democracia, com elevados índices de abstenção e descrença dos indivíduos em relação ao sistema político-partidário, tem-se reorientado alguma atenção para propostas de modelos de democracia participativa, entre os quais os OP municipais. Em Portugal, desde há cerca de 10 anos que este modelo tem vindo a ser aplicado em vários municípios.

A análise proposta resulta da conceção de que a comunicação social tem efeitos nas representações, perceções, atitudes e comportamentos dos indivíduos, e tem como fundamentação a teoria do agenda-setting, segundo a qual os meios de comunicação social de massas podem determinar a visibilidade e grau de importância de diferentes assuntos. Embora não tenham o poder de determinar o que pensamos, têm, pelo menos, o poder de agendar os temas sobre os quais pensamos.

Estratégia metodológica: Incide na análise quantitativa das notícias publicadas sobre “orçamento(s) participativo(s)” em três jornais nacionais (Público, DN e CM), no período compreendido entre 1 de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2014, de modo a atestar do número global de notícias publicadas em cada ano e da evolução ao longo dos anos, de modo a perceber se o tema tem tido presença regular na agenda mediática.

Numa segunda fase, pretende-se empreender uma análise de conteúdo, de modo a verificar o subtema dominante e tendência (positiva/negativa) nas notícias, autoria das “peças jornalísticas” (jornalistas ou agência), e quais os atores e fontes presentes.

________________________________________________________________________

 

A evolução da regulação mediática: Análise comparada dos mecanismos normativos do jornalismo português

João Miranda

Faculdade de Letras da UC/Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX

Palavras-chave: jornalismo; autorregulação; heterorregulação; regulação mediática.

 

Resumo:

As transformações do paradigma social e político, decorrentes da Revolução de Abril de 1974, vieram reenquadrar e reformatar o plano mais vasto da estruturação e organização da comunicação social e do jornalismo em Portugal. No campo da regulação, pela mão dos jornalistas, por iniciativa parlamentar e governamental, ou até mesmo através da pressão mais ou menos informal dos movimentos civis e sociais, assistiu-se à geração de uma miríade de organismos normativos, que correspondiam a campos bem delimitados da auto, da co e da heterorregulação. O percurso trilhado desde então colocou em evidência diferentes tendências, das quais subjaz um estreitamento do papel e competências dos diferentes mecanismos num menor número de estruturas. Paralelamente, este caminho patenteia-se por uma obliteração da regulação participada, uma perda do peso institucional e simbólico do quadro normativo próprio dos profissionais da comunicação, e uma acumulação de poderes por parte da regulação estatal.

Através do cruzamento de um conjunto de entrevistas, realizadas a responsáveis e membros dos diferentes mecanismos normativos, e da análise de conteúdo de pareceres, resoluções e legislação afetas a cada um dos organismos, esta comunicação compreende um estudo diacrónico da evolução da regulação do jornalismo português, onde se salienta o papel de cada mecanismo no seu tempo, bem como as suas inspirações e legado para a realidade contemporânea do jornalismo. Ao mesmo tempo, esta apresentação pretende estabelecer uma análise comparada entre os diferentes mecanismos, onde se relevam aspetos específicos como modelos de trabalho, papel e poder institucional, estrutura organizativa dos organismos, temáticas discutidas ou relações com o restante espetro da regulação mediática portuguesa.

 

POSTERS

Átrio do Pavilhão do Conhecimento

17 e 18 de abril, 9.00h – 17.30h

1. O impacto da cultura de convergência nos acervos arquivísticos digitais: o caso do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC)

Thais Santos

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

Palavras-chave: Ciberespaço; cultura de convergência; acervos arquivísticos digitais; CPDOC.

 

Resumo:

A contemporaneidade é marcada pela comunicação, interação e socialização da informação através da Internet, portal de entrada do ciberespaço. Assim, as mídias ganham destaque pelo impacto causado na sociedade sob o fenômeno da cultura de convergência. Perante essas implicações culturais, as organizações se apropriam de ferramentas midiáticas no intuito de aprimorar seus processos comunicacionais para aproximação com os seus consumidores/usuários. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo o de analisar o impacto da cultura de convergência no acervo arquivístico digital do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC). Em termos metodológicos, a priori, recorremos à revisão de literatura nas áreas da Ciência da Comunicação, Ciência da Informação, Tecnologias da Informação e Comunicação, Sociologia e Filosofia.  A posteriori, nos voltamos à exploração do caso do acervo arquivístico do CPDOC e o uso que faz das mídias para a disseminação dos seus conteúdos e interação com os usuários, no prisma da cultura de convergência. Os resultados da pesquisa desvelaram o elo promissor entre os processos e teorias comunicacionais nos serviços oferecidos pelos arquivos. No caso do CPDOC a convergência de mídias se operacionaliza para o fluxo de conteúdos por diferentes canais de comunicação (boletins informativos com os newsletters, redes sociais, dentre outros) assumindo formas distintas de recepção. Na recepção da informação por um nicho específico, os indivíduos da rede de compartilhamento são ao mesmo tempo atores e espectadores (direta e indiretamente) nos processos de comunicação, ou seja, eles são colaboradores e participantes da partilha de informações, de conhecimentos, de experiências e de saberes.

 

 

 

2. Concursos de literacia mediática – uma estratégia de educação informal para os media?

Luís Pereira, Ana Jorge, Maria José Brites

Coventry University; Universidade Nova de Lisboa; CECS- Universidade do Minho; Universidade Lusófona do Porto

 

Palavras-chave: Concursos; Educação para os Media; educação informal; avaliação.

 

Resumo:

Em Portugal, a Educação para os Media foi clarificada com as recomendações do Parlamento Europeu e do Conselho e é, desde 2009, apoiada por um grupo informal de Literacia dos Media. Na ausência de uma política pública clara, alguns programas de educação para os media da responsabilidade de associações e até de instituições com fins comerciais têm oferecido uma espécie de compensação para a falta de uma estratégia mais central. Uma das ferramentas utilizadas por esses atores são competições e concursos sobre temáticas das literacias mediáticas, ou fracções dessas, como literacia digital, da publicidade ou sobre os direitos de autor.

Nesta apresentação, pretendemos discutir a eficácia das competições como uma estratégia para desenvolver a educação para os media, e como avaliar o seu impacto. Através da recolha e da realização de entrevistas aos seus promotores, pretende-se fazer um retrato dos concursos de educação de media durante os últimos cinco anos em Portugal, discutindo criticamente os objetivos, resultados e avaliação do impacto dessas iniciativas.

Os resultados preliminares indicam a necessidade de promover competências e as iniciativas analisadas destacam o propósito de fazer crescer a literacia para os media, inclusive em áreas específicas, facilitar a ligação aos curricula e promover boas práticas. Alguns dos problemas identificados são a perenidade e o isolamento dos projetos, bem como a dificuldade de proceder a uma avaliação.

Com base nos resultados desta pesquisa, que levanta questões a respeito de temáticas como a educação formal / não-formal, fins pedagógicos / comerciais, avaliação de qualidade, pretende-se desenvolver modelos para uma análise independente de tais iniciativas, bem como redigir recomendações para uma maior eficácia.

Esta investigação integra-se na ação COST Action IS1401 ‘Strengthening Europeans Capabilities by Establishing the European Literacy Network’.

 

 

 

3. Bibliotecas, mediatecas e literacia para os media

Carla Bezerra, Filomena Del Rio

Agrupamento do Atlântico, Agrupamento de Arga e Lima

 

Palavras-chave: Biblioteca escolar; literacias; cidadania; formação de utilizadores.

Resumo:

As bibliotecas são estruturas nucleares na escola, lugares de conhecimento e inovação, capazes de incorporar novas práticas essenciais a formação para as literacias digitais, dos média e da informação.

Estas dotadas de recursos, serviços e tecnologias, permitem contribuir para o enriquecimento do currículo em ambientes flexíveis, adaptados as mudanças tecnológicas e as necessidades dos utilizadores, nomeadamente os alunos, numa lógica inclusiva.

Esta estrutura pedagógica ocupa um lugar imprescindível na escola, na medida em que fomenta o treino e a formação para as literacias digitais, dos média e da informação, preparando os alunos para a pesquisa, uso, produção e comunicação da informação e para a participação segura e informada nas redes sociais.

Numa lógica formativa de trabalho presenciais e ambientes em linha, a biblioteca disponibiliza no seu plano de ação, para todo o agrupamento, módulos diferenciados, permitindo aos diretores de turma e respetivos Conselhos de Turma optarem pelas temáticas que serão mais adequadas ao perfil dos alunos e as competências literacias que precisam desenvolve.

Módulo 1 “Estar na BE”

Modulo 2 “Com a BE na aventura do conhecimento”

O trabalho de pesquisa: seis passos para uma maior eficácia!

“Usar os repositórios da BE: para apoio ao currículo e ao processo de ensino!

Módulo 3

“Utilização do “Google drive”

Como construir um poster com ajuda das TIC

Apresentação oral forma

Segurança a utilização das redes socias

Estas dinâmicas permitem a monitorização do desenvolvimento das diferentes literacias através da aplicação de instrumentos específicos para o efeito, tendo por base o MABE (2013) e da sua análise poder-se-á avaliar impactos das dinâmicas colaborativas entre e a BE.

 

 

 

4. Potencialidades Pedagógicas das Tecnologias Móveis e Aplicações na Educação Pré-escolar

Joana Ferreira, Maribel Pinto

Instituto Politécnico de Viseu – Escola Superior de Educação

 

Palavras-chave: Tecnologias da Informação e Comunicação; mobile learning; educação e tecnologias; ambientes pessoais de aprendizagem.

Resumo:

A presente investigação está a ser desenvolvida no âmbito do projeto final de mestrado em Educação Pré-escolar e Ensino do 1º Ciclo do Básico, na Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Viseu, no presente ano letivo 2014/2015 e decorre na respectiva prática supervisionada no Centro Escolar 1º ciclo - Santo Estevão, Viseu.

Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica e apetrechada de inúmeros recursos. Atendendo ao lugar que ocupam as tecnologias móveis (telemóveis, tablets e portáteis) na vida familiar da criança importa transpor barreiras e integrar estas mesmas tecnologias em contexto de sala de pré-escolar, de forma a avaliar as suas potencialidades pedagógicas (Ally, M. 2007); (Jönsson, P., & Gjedde, L., 2009); (Miranda-Pinto, M. S. e. O., A. J.,2014). (Moura, A. 2010); (SHULER, C. 2009); (UNESCO, 2013). Pretendemos integrar as tecnologias de forma transversal a todas as áreas de conhecimento e incidindo nos três domínios definidos pelas Metas Curriculares: informação, comunicação e segurança. (Ministério da Educação – DGIDC (Ed.), (2009)).

Para este projeto definimos os seguintes objectivos: conhecer o contexto educativo e os recursos tecnológicos existentes; observar qual a motivação por parte das crianças com as tecnologias; reconhecer que aplicações para dispositivos móveis se adequam à idade pré-escolar; analisar níveis de envolvimento das crianças nas atividades desenvolvidas e identificar as principais competências desenvolvidas nas crianças na interação com as tecnologias móveis.

Recorremos à metodologia de estudo de caso, da qual resulta a seguinte questão de investigação: Quais as potencialidades pedagógicas das tecnologias móveis e aplicações na educação pré-escolar? A nossa amostra é constituída por vinte crianças entre os três e os seis anos. Vamos recorrer a entrevistas semifechadas, grelhas de observação e um diário de bordo como técnicas de recolha de dados. O plano de trabalho integra oito sessões com as crianças, com propostas de trabalho livre e orientado.


Datas Importantes
Sem eventos agendados para o mês de Julho 2017