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literacia mediática leitura crítica dos media
Edição correnteagosto de 2026LisboaPublicação independente

Congresso Literacia, Media e Cidadania: o Que Foi a Série e o Que Dela Ficou Publicado

Entre 2011 e 2015 realizaram-se em Portugal três edições de um congresso dedicado à literacia mediática, à educação para os media e ao exercício da cidadania. Esta página descreve o que a série foi e onde procurar o que dela resultou.

Texto e revisão

O congresso é hoje sobretudo relevante como corpo documental. As comunicações apresentadas fixaram o vocabulário que o tema passou a usar em português, e é por essa razão que continuam a ser citadas por trabalhos publicados uma década depois.

SérieTrês edições, 2011 a 2015
Anfiteatro universitário vazio, com filas de cadeiras de madeira e estofo azul a subir em degraus e janelas altas de um dos lados.
O anfiteatro entre edições

Fólio 01O que era o congresso

Um encontro académico com chamada aberta de comunicações, organizado no meio universitário português em articulação com o meio escolar e com organismos do sector da comunicação social. O formato era o convencional: submissão de resumos com prazo, avaliação, apresentação em painéis temáticos e publicação de um livro de resumos.

O que o distinguia era a mistura de participantes1. Congressos de ciências da comunicação reúnem investigadores; este reunia investigadores, professores de escolas, bibliotecários escolares e reguladores na mesma sala, o que se reflecte no tipo de trabalho apresentado: menos teoria pura, mais relato de prática documentada.

A terceira edição realizou-se a 17 e 18 de Abril de 2015. As duas anteriores tiveram lugar em 2011 e em 2013, esta última referida na documentação da época pela sigla LMC 2013.

Nota 1Consequência visível nas citações: o congresso é referido tanto em revistas académicas como em documentos de orientação escolar, o que é invulgar para um encontro desta dimensão.

Fólio 02Os temas que atravessaram as edições

O eixo manteve-se estável nas três edições. Em primeiro lugar a definição do próprio campo: o que conta como literacia mediática, como se distingue da literacia digital e como se avalia. É uma discussão que parece formal e não é, porque dela dependem os referenciais que as escolas usam.

Em segundo lugar a prática escolar: que actividades funcionam, em que ciclos, com que preparação dos professores. Em terceiro lugar a relação com a regulação, ou seja, o que compete ao Estado, aos operadores de comunicação e à escola.

Um quarto tema ganhou peso ao longo da série, e é o que mais aproxima estas actas do presente: a circulação de informação falsa em redes sociais. Em 2011 era um assunto lateral. Em 2015 já não era, e a leitura das comunicações das três edições mostra bem essa passagem.

Quatro eixos
  • Definição e avaliação do campo
  • Prática escolar por ciclo
  • Regulação e responsabilidades
  • Informação falsa em rede
Corredor estreito entre estantes altas de biblioteca, cheias de volumes encadernados de revistas académicas.
Onde as actas ficaram: encadernadas e por consultar

Fólio 03Onde procurar as actas hoje

Os livros de resumos foram publicados em acesso aberto. Passada uma década, o caminho mais seguro para os encontrar não é o endereço original de cada edição, mas os repositórios institucionais das universidades que acolheram os trabalhos e as bases de dados académicas de língua portuguesa, onde as comunicações aparecem indexadas individualmente.

Vale a pena um aviso de método para quem cita. Um resumo de congresso não é um artigo revisto por pares, e a diferença importa quando o texto vai ser usado como fonte. Muitas destas comunicações foram depois desenvolvidas em artigos completos, e é a versão desenvolvida que deve ser citada quando existe.

Para quem chega ao tema pela primeira vez, o percurso mais útil não começa nas actas. Começa no guia de literacia mediática e desce ao detalhe conforme a dúvida: desinformação para o lado das mensagens, literacia digital para o lado das ferramentas.

Nota 2Regra simples: cite o artigo quando existe, o resumo apenas quando o trabalho nunca foi desenvolvido. A distinção evita atribuir a um congresso conclusões que só apareceram mais tarde.

Fólio 04O que a série deixou

Duas coisas, de peso desigual. A primeira é terminológica: expressões como educação para os media e literacia mediática entraram no português corrente do sector por esta via, e não por tradução directa de documentos internacionais. Quem lê hoje um referencial escolar está a ler vocabulário fixado nestes anos.

A segunda é uma rede de pessoas. Investigadores, professores e bibliotecários que se encontraram nestas edições continuaram a trabalhar juntos depois, e boa parte do material de apoio que hoje circula em escolas portuguesas tem origem nesses contactos. É um resultado difícil de documentar e mais duradouro do que as actas.

O que a série não resolveu foi a avaliação. Continua a não haver, em português, um instrumento amplamente aceite para medir competências de leitura crítica dos media, e essa lacuna é visível em qualquer tentativa de comparar programas.

Continuar: desinformação

Fólio 05Perguntas frequentes

Quantas edições teve o congresso?

Os registos disponíveis apontam para três edições ao longo da primeira metade da década de 2010, sendo a terceira realizada em Abril de 2015. Cada uma manteve o mesmo eixo temático e o mesmo formato de chamada de comunicações.

As actas continuam acessíveis?

Os livros de resumos foram publicados em acesso aberto na época e continuam a ser citados por trabalhos posteriores. As referências mais fiáveis encontram-se hoje nos repositórios institucionais das universidades participantes e nas bases de dados académicas de língua portuguesa.

Quem participava?

Sobretudo investigadores de ciências da comunicação e das ciências da educação, professores do ensino básico e secundário, profissionais de bibliotecas escolares e representantes de organismos reguladores da comunicação social.

O congresso ainda se realiza?

Não há registo de edições posteriores a 2015. A discussão prosseguiu noutros formatos, sobretudo em revistas académicas e em encontros de âmbito mais restrito.